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11 Mai 2016

O novo prefeito de Londres é uma figura a se olhar com interesse, porque poderia ser a concretização daquela fisionomia europeia de que Francisco denuncia o esquecimento.

A opinião é do teólogo leigo italiano Christian Albini, coordenador do Centro de Espiritualidade da diocese de Crema, na Itália, e sócio-fundador da Associação Viandanti.

O artigo foi publicado no seu blog Sperare per Tutti, 09-05-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Há um fio dourado que liga o discurso do Papa Francisco no recebimento do Prêmio Carlos Magno, na presença das autoridades europeias, e a eleição do prefeito de Londres, Sadiq Khan, advogado muçulmano, filho de imigrantes paquistaneses, que escolheu uma igreja para a cerimônia de posse e, nesta segunda-feira, inaugurou o seu mandato participando da comemoração da Shoá ao lado do rabino-chefe, Mirvis.

Sonho com um Europa em que ser um migrante não é crime, mas sim um convite a uma maior compromisso com a dignidade de todo ser humano.

São palavras do discurso de Bergoglio que desafiam o novo conformismo de hoje, pelo qual as pessoas são julgadas com base na categoria a que pertencem, e não pelas suas ações e pelos seus valores. De acordo com alguns, Sadiq Khan não poderia ter sido eleito prefeito justamente por causa da "carteira de identidade". É uma posição que reduz o ser europeu a uma identidade particular a se defender, em vez de associá-lo a um patrimônio de valores que foi construído ao longo do tempo na tensão em direção à universalidade.

A tradição judaico-cristã também participa dessa tensão, porque transmite a promessa de Deus: "A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos" (Isaías 56, 7). As novas formas ideológicas, no entanto, que carregam dentro de si os gérmens dos fascismos e dos totalitarismos do século passado, gostariam de fazer do cristianismo uma bandeira a ser contraposta a toda alteridade e diversidade. O justo temor despertado pelo fundamentalismo e terrorismo, infelizmente, lhes ofereceu um impulso notável.

Khan é uma figura a se olhar com interesse, porque poderia ser a concretização daquela fisionomia europeia de que Francisco denuncia o esquecimento.