O nome de Deus no plural

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

15 Abril 2016

A experiência plural é uma perspectiva contemporânea muito singular. Ela sempre encontrou espaço no “mundo dos humanos”. Mas, nunca gozou de reconhecimento como nesses últimos tempos. Ela não é apenas constatada e tolerada no fato em si, mas respeitada e reconhecida na sua dignidade e no seu direito de existir como uma riqueza e uma possibilidade de cooperar nas relações humanas, em todas as suas dimensões.

O século XX é um momento importante para o “despertamento” no/do plural. Com isso, soma-se a garantia de direitos pela democracia e a fluidez proporcionada pela globalização. Se antes as fronteiras humanas e geográficas estavam devidamente visibilizadas, agora não é possível sustentar tal afirmação, mesmo que subsistem fronteiras nesse árduo exercício de ser gente.

A geopolítica foi alterada, não é possível pensar em dois blocos, mas continuamente estamos frente ao desafio de co-existir e compartilhar muitos espaços. A consciência amadurecida de uma vivência no plural implica uma constante “transformação” na mentalidade e nos estilos de vida. Não é preciso ter receio do contraditório. Porque são guardadas em suas diferenças irredutíveis. Inclusive, na diferença, a pluralidade desvela-se com dignidade própria, enquanto iluminada por subjetividades.

Fazer a opção de valorizar o plural exige o labor de cultivar uma postura de abertura mútua na liberdade e no intercâmbio de elementos importantes para uma existência saudável. O outro se torna um(a) parceiro(a).

Não é diferente com as religiões. Elas descobrem-se plural. Não apenas como “instituição” das múltiplas fés, mas como busca do Mistério. O cristianismo, no século XX, iniciou um processo de abertura para repensar sua fé desde as veredas da pluralidade de religiões e de culturas. Não tem sido uma tarefa fácil. Muitas resistências são encontradas, sobretudo nos organismos oficiais.

Os obstáculos eclesiais não impedem o trabalho pela cooperação (inter)religiosa. Busca-se um real encontro entre as religiões. Não “apenas” motivado por questões sociais e políticas, mas iluminado pela busca conjunta pelo Mistério através de cada manifestação de fé. No percurso, sempre acompanha a pergunta aberta: De que Deus estamos falando?

Ninguém tem o direito de negligenciar a sua própria experiência. Por isso, descobrir Deus nos caminhos (inter)religiosos é descobri-lo na profundidade de seu próprio ser, mesmo tendo a consciência de que sua plenitude será inatingível. É um desafio sem muitas facilidades. Exige disposição e esforço, sobretudo para que as religiões na busca pelo Mistério alcancem sua relevância pública, social, econômica, política da existência e da fé.

Michael Amaladoss, no Cadernos Teologia Públicanúmero 10, apresenta uma perspectiva plural para o nome de Deus. Não é uma reflexão em si sobre o nome de Deus, mas como o cristianismo paulatinamente descobre-se no processo das múltiplas fés. Nele precisa encontrar caminhos para reelaborar seu pensar Deus na companhia das diversas religiões.


O texto está organizado da seguinte forma:

1. Religiões em conflito

2. Em busca de um método

3. Colaboração e Diálogo

4. Uma nova teologia das religiões

5. Igreja e o Reino de Deus

6. Jesus, o libertador

7. Uma chamada ao diálogo

Michael Amaladoss, indiano, padre jesuíta, doutor em Teologia. Diretor do Instituto do Diálogo com Culturas e Religiões, Chennai, Índia. Escreveu muitos livros e artigos sobre espiritualidade e diálogo inter-religioso. Dentre eles, citamos os seguintes: Jesus – o profeta do Oriente (São Paulo: Pensamento, 2009), Promover harmonia: vivendo em um mundo pluralista (São Leopoldo: UNISINOS, 2006), The Dancing Cosmos. A way to harmony (Anand: Gujarat Sahitya Prakash, 2003), A reviravolta planetária de Deus: da 'experiência religiosa' à 'experiência secular' (São Paulo: Paulinas, 1995) e Rumo à plenitude: em busca de uma espiritualidade integral (São Paulo: Loyola, 1997).

Para acessar o texto: clique aqui

Por Jéferson Ferreira Rodrigues