Epifania do Senhor do Natal – Ano B – Da periferia do Oriente chega a Luz para todas as nações

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Por: MpvM | 05 Janeiro 2024

A reflexão é de Ana Maria Formoso, Missionária de Cristo Ressuscitado – MCR. Ela possui graduação em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, mestrado em Teologia pela PUCRS e doutorado em Educação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos. É professora na Faculdade de Teologia da Pontificia Universidad de Valparaíso/Chile.

Leituras do Dia
1ª Leitura - Is 60, 1-6
Salmo - Sl 71, 1-2.7-8.10-11.12-13 (R. Cf.11)
2ª Leitura - Ef 3,2-3a.5-6
Evangelho - Mt 2,1-12

O comentário foi originalmente publicado pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, 02-01-2021.

Estamos celebrando a festa da Epifania, manifestação de Deus para todas as nações.

Vamos olhar primeiramente para o profeta Isaías que nos relata uma situação em que habita o sentimento de solidão, de sentir-se perdido, e Deus se manifesta trazendo em sua mão uma brasa que havia retirado do altar do templo. O Deus que escuta o clamor da solidão, sai do templo para ir ao encontro das pessoas. Esta é a mensagem central da primeira leitura que nos abre a reconhecer a atitude dos magos no Evangelho de hoje.

O texto nos diz que Jesus nasceu em um tempo difícil, onde reinava Herodes, uma situação muito complexa. Jesus nasceu durante o reinado do imperador romano Augusto, antes da morte de Herodes, na primavera do ano 4 A.C. Para Pagola “Não é possível precisar melhor a data do seu nascimento” (Pagola, 2014, p. 577).

Também não podemos esquecer a intencionalidade do Evangelho de Mateus que apresenta uma didática clara de narrativas e de ações que formam parte de uma aprendizagem para as comunidades cristãs. Neste texto vamos descobrir a manifestação de um caminho que temos que fazer com risco e com discernimento.

O caminho se inicia com os magos no Oriente, ou seja, Oriente significa onde nasce o sol, a luz. A desorientação é a perda do sentido, é viver na escuridão, nas trevas. Os magos são pessoas que estão na periferia no sentido de que não estavam no templo, não eram conhecedores da Lei, mas sim investigavam o que acontecia no céu para compreender sua relação com a manifestação na Terra.

Vamos olhar a experiência dos Magos que nos descoloca, pois sua trajetória não está vinculada ao espaço da autoridade religiosa da época nem ao judiciário; eles caminham, se colocam a caminho buscando a Estrela guia do Rei dos Judeus.

Herodes, também, quando ficou sabendo que os Magos estavam buscando o lugar onde havia nascido o Messias, buscou encontrá-lo, consultou os chefes dos sacerdotes, os encarregados da Lei.

Vejamos, eles sabiam que ia nascer o Messias, mas não se colocaram a caminho, ficaram com o que conheciam da tradição sem mover-se, sem arriscar um novo caminho. Herodes fez o mesmo que os chefes religiosos da época que, com uma linguagem religiosa, envolviam a sociedade fazendo acreditar que eles também tinham a mesma intenção que os Magos. A linguagem religiosa que se diz cristã e que está revestida de poder, de autorreferência, é totalmente oposta a um caminho de luz, da esperança e da manifestação cristã.

Todos têm uma responsabilidade pelo ferido, que é o nosso povo e todos os povos da terra. Cuidemos da fragilidade de cada homem, cada mulher, cada criança e cada idoso, com a mesma atitude solidária e solícita, a mesma atitude de proximidade do bom samaritano (Fratelli Tutti, 89).

Neste ponto gostaria de chamar a atenção de que não basta uma linguagem religiosa, é necessário ter opções de vida concretas para que a sociedade possa ir encontrando estrelas guias.

Vejamos quantas estrelas guias são do Oriente, pois elas deixaram suas casas, seu tempo, para dedicar-se ao cuidado da vida de pessoas doentes, quantas mães e pais estão dando tudo pelo cuidado de sua família e de outros na sociedade. Mulheres, mães, pais, irmãs, sacerdotes, religiosas que estão trabalhando horas e horas nos bairros, nas escolas, nas ruas, nas associações, buscando que a vida possa ser cuidada. Temos muitos Magos do Oriente, nesta bela festa, que estão entregando ouro, incenso e mirra.

Descobrir a mensagem desta festa nos ajuda a descobrir o caminho de aproximar-nos a Jesus e a Maria para entregar o melhor de cada um de nós.

Nesta entrega de nossa vida a Jesus, se manifesta a Luz que deve ser cuidada e discernida por caminhos novos, diferentes dos Herodes da vida.

Somos convidadas/os a sair do Oriente, das diferentes periferias e entrar na casa de Maria, nossa mãe, que junto com os Magos nos manifestam a presença de Deus.

A experiência dos Magos nos convoca a buscar o sentido das coisas, a perscrutar com paixão o grande mistério da vida. Eles nos ensinam a não nos escandalizar frente à pequenez e à pobreza, mas a reconhecer a majestade na humildade e sabermos nos ajoelhar diante dela.

Jesus pela presença dos Magos nos fala "Vai e faz tu também o mesmo" (Lc 10, 37). Em outras palavras, desafia-nos a deixar de lado toda a diferença e, em presença do sofrimento, fazer-nos vizinhos a quem quer que seja. Assim, já não digo que tenho «próximos» a quem devo ajudar, mas que me sinto chamado a tornar-me eu um próximo dos outros (Fratelli Tutti, 81).

Os Magos vindos do Oriente, da periferia, se ajoelharam e protegeram a vida do pequeno Menino Deus, eis aqui um desafio crítico e belo.

Boa festa para nós, com esperança e discernimento. 

Leia mais