26º do tempo comum - Ano A - Os dois Filhos e a fé no Filho de Deus

Foto: Pixabay

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Por: MpvM | 25 Setembro 2020

"As leituras deste domingo se harmonizam para dizer que toda pessoa, qualquer que seja o desvio do seu caminho, tem chance de voltar atrás. Ezequiel, na primeira leitura, chama a atenção de que a conversão não é um ato voluntário, porque quem nos converte é Deus. Mas só quem toma consciência de sua própria fragilidade pode receber a salvação. Somos um misto de sacerdote e publicano, de sim inconsequente e de não obediente. A conversão é um ato de liberdade de descer do trono em que nos colocamos ou nos colocaram."

A reflexão é de Penha Carpanedo, cddm, religiosa da Congregação Discípulas do Divino Mestre, membro da Rede Celebra. Ela coordena o serviço de redação da Revista de Liturgia e atua na formação litúrgica das comunidades e nas escolas de Liturgia, na perspectiva da iniciação cristã.

Leituras do Dia
1ª Leitura - Ez 18,25-28
Salmo - Sl 24,4bc-5.6-7.8-9 (R. 6a)
2ª Leitura - Fl 2,1-11
Evangelho - Mt 21,28-32

Este Evangelho desse domingo (Mt 21,28-32) traz uma grande luz sobre o que é ter fé no Filho de Deus. Estando Jesus em Jerusalém, vê que muita gente invoca Deus, presta culto a ele, mas tem uma vida contrária ao agir de Deus. E Jesus vê, também, gente pobre, mulheres marginalizadas, cobradores de impostos odiados pelos donos do saber e da religião, que carregavam sobre si o estigma de “pecadores”. No entanto, estes últimos escutam e acolhem a Palavra de Jesus. Entre eles está o próprio evangelista Mateus que era um coletor de impostos que se tornou discípulo do reino.

É neste contexto que Jesus conta esta parábola comparando os dois filhos com estes dois grupos.

O filho que diz “não” expõe-se a um conflito com o pai, e isto o faz tomar consciência do seu conflito interior, da sua hostilidade com o pai que o leva a mudar de opinião. Coisa que não sucede com o segundo filho, que responde “sim”, que se inclina para agradar ao pai, mas engana-se a si próprio.

O Pai pede para os filhos irem hoje trabalhar na vinha. Este hoje não é o dia cronológico apenas, é o hoje da salvação. Lido no contexto litúrgico do domingo, este hoje é o tempo oportuno da graça de Deus oferecida também a nós.

As leituras deste domingo se harmonizam para dizer que toda pessoa, qualquer que seja o desvio do seu caminho, tem chance de voltar atrás. Ezequiel (Ez 18,25-28), na primeira leitura, chama a atenção de que a conversão não é um ato voluntário, porque quem nos converte é Deus. Mas só quem toma consciência de sua própria fragilidade pode receber a salvação. Somos um misto de sacerdote e publicano, de sim inconsequente e de não obediente. A conversão é um ato de liberdade de descer do trono em que nos colocamos ou nos colocaram.

O parâmetro da nossa conversão é o próprio Cristo. Crer em Jesus, é crer com a fé de Jesus, é ter o mesmo sentimento de Jesus, conforme aponta Paulo aos Filipenses (Fl 2,1-11). Ele não fez alarde com sua condição divina, nem aceitou qualquer tipo de submissão. A sua fé se traduz em obediência filial e amorosa ao Pai até o fim.

Que a presença do Crucificado-Ressuscitado em nossa reunião neste domingo, converta-nos de nossas ambiguidades e divisões, acione as reservas de amor escondidas e unifique o nosso coração para a obediência de Jesus, que não seja apenas formalidade, mas movimento profundo como aconteceu com o primeiro Filho e como a obediência de Jesus, que ele aprendeu a duras penas, conforme a carta aos Hebreus [5,7-9].

 

Leia mais