Mata Atlântica perde 196 Ibirapueras em dois anos

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

26 Mai 2011

A Mata Atlântica perdeu 31.195 hectares de sua cobertura entre 2008 e 2010, o equivalente a 196 Parques do Ibirapuera. Embora em ritmo menos acelerado que no passado, o bioma continua perdendo vegetação para atividades como produção de carvão, plantio de eucaliptos e agricultura. Minas Gerais foi o Estado que mais contribuiu para a perda da floresta, com 12.467 hectares desmatados.

A reportagem é de Andrea Vialli e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 27-05-2011.

Só nos últimos 25 anos, o total de área desmatada chegou a 1,72 milhão de hectares, o equivalente a 1,3% da cobertura original do bioma. Hoje restam 11% de Mata Atlântica no Brasil.

Os dados fazem parte do estudo Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, divulgado ontem pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a ONG Fundação SOS Mata Atlântica.

Segundo o levantamento, os dados do período apontam uma diminuição de 55% na taxa média anual de desmatamento, comparado com o período anterior analisado, o triênio 2005 a 2008. Na avaliação de Márcia Hirota, coordenadora do Atlas pela SOS Mata Atlântica, a queda no ritmo do desmate deve ser comemorada. "Essa diminuição pode ser explicada pelo avanço da legislação e pelo trabalho dos órgãos de fiscalização", afirma.

O levantamento foi feito com base na comparação de imagens de satélites do Inpe e pelo trabalho de campo dos pesquisadores, que avaliam as causas do desmatamento no local. A pesquisa não detecta, no entanto, o chamado "desmatamento formiga" - áreas desmatadas menores que 3 hectares.

Impacto

Em Minas Gerais, Estado que concentrou a maior parte dos cortes da Mata Atlântica, com 39,9% do total desmatado em todo o País, o grande vetor do desmatamento é a produção de carvão que alimenta as indústrias de ferro-gusa, matéria-prima das siderúrgicas. Márcia explica que as carvoarias utilizam a madeira da mata nativa nos fornos. "Depois, o espaço é ocupado com plantios de eucalipto, que também visam a abastecer esses setores", diz.

O Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Minas Gerais (Sisema) informa, em nota ao Estado, que, apesar do alto índice de desmate registrado nos últimos dois anos, também ocorre uma diminuição do porcentual de área desmatada no Estado de Minas em relação à área do bioma no início de cada período avaliado. Esse porcentual passou de 4,27%, no período de 1995 a 2000, para 0,47% no último levantamento, de 2008 a 2010.