Papa Francisco vai sozinho a Lampedusa, sob a insígnia da sobriedade. Quase em um voo de linha

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06 Julho 2013

Nada de tapete vermelho até às escadas. Nada de guarda de honra. Nada de cerimonial. Uma viagem de penitência até o último pedaço de terra da Europa, onde se cruzam histórias de esperança e de morte para milhares de migrantes, poderia muito bem ser feito com um voo de linha. Essa é a ideia do Papa Francisco, que estava pronto para renunciar ao avião de Estado para não desrespeitar o princípio de sobriedade com o qual ele pretende consumar a sua visita da próxima segunda-feira à ilha de Lampedusa.

A reportagem é de Andrea Purgatori, publicada no sítio HuffingtonPost.it, 05-07-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

De fato, lhe bastariam quatro lugares no voo diário da Alitalia, que ele pediu que a sua secretaria reservasse. Sem calcular que esse simples gesto criaria um pequeno curto-circuito diplomático e institucional entre a Santa Sé e o Estado italiano.

Tudo voltou ao normal em poucas horas. O avião de Estado vai estar lá, mas como única concessão de cortesia com relação ao governo italiano. O Papa Francisco é isso. Ele já era assim como arcebispo de Buenos Aires, quando percorria a capital argentina de ônibus ou de metrô e sem escolta.

Ele não pensou duas vezes agora, depois de decidir que a primeira saída oficial como pontífice seria para a ilha dos desembarques. Uma visita na qual irá celebrar a liturgia da penitência, com a estola púrpura e o pensamento voltado a todos aqueles seres humanos que não tiveram fôlego para chegar a Lampedusa e também para as omissões daqueles que deveriam tê-lo ajudado.