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Por: Jonas | 18 Agosto 2015

“O freio aos governos populares já não é realizado com levantes de repressões ferozes, mas com o aproveitamento de um sistema político que demonstra estar obsoleto – foi montado para o funcionamento das oligarquias – para esta nova realidade latino-americana”, escreve Oscar Laborde, diretor do Ideal-CTA e dirigente da Frente Transversal, ao comentar os últimos acontecimentos políticos no Brasil, em artigo publicado por Página/12, 16-08-2015. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

O cenário político sul-americano está exposto, cruamente, nos meses que já se passaram em 2015. Brasil, Equador e Venezuela são os objetivos claros da política exterior imperial, ao passo que na Argentina ameaçam, permanentemente, com golpes de mercado, ainda que o processo eleitoral e a alta imagem positiva de Cristina Kirchner tenham retirado forças da estratégia desestabilizadora.

Sobre a realidade brasileira é possível obter vários ensinamentos que parece importante compartilhar para comprovar, exatamente, como a direita norte-americana e os partidos opositores atuam coordenadamente em todos estes países.

O primeiro elemento é que não existem fatos desconexos. Desde antes do Mundial, com o tema do transporte e outras necessidades de tipo social, via os grandes meios de comunicação e a utilização das redes sociais, foram colocados os temas e a oposição mobilizou e ocupou as ruas. O espaço sempre escolhido pelas organizações sociais e políticas populares é, agora, ocupado por outros grupos e setores.

O assunto dos desmandos financeiros na Petrobras já possui várias décadas, no entanto, é reinstalado agora e só se assume na investigação – basicamente – todo o período do governo do PT. Surge, aqui, outro fator comum às tentativas desestabilizadoras de toda a região: o papel do Poder Judiciário, absolutamente, funcional às corporações.

O terceiro elemento a se levar em conta é que em um sistema democrático, as maiorias parlamentares servem para consolidar as políticas de Estado, mas também para impedir a instrumentalização de golpes via Poder Legislativo.

A experiência paraguaia é instruidora e a do PT enfrenta esta encruzilhada. O freio aos governos populares já não é realizado com levantes de repressões ferozes, mas com o aproveitamento de um sistema político que demonstra estar obsoleto – foi montado para o funcionamento das oligarquias – para esta nova realidade latino-americana.

O chamado golpe constitucional, ou diretamente o militar, aparece refletido não apenas nas ações dos partidos opositores ou em outrora aliados do PT, mas também em faixas e cartazes nas principais cidades do Brasil. O objetivo é, prioritariamente, derrubar Dilma, mas também desprestigiar Lula, e assim quebrar qualquer possibilidade de recondução democrática presidencial no futuro.

Lula começa a assumir o centro das atenções, e sua autocrítica de poucos dias atrás, sobre o fato de que não se pode dizer que somente Dilma errou, mas que “todos erraram”, pode ser um ponto de partida para se colocar algumas das grandes interrogações do momento: começará a ser construído um novo sistema de alianças mais ligado aos movimentos sociais, camponeses, sindicais e emergentes? É necessário refundar o PT? Haverá avanço na construção de consensos para uma Reforma Política integral?

Nas respostas a estas e outras perguntas que daí são inferidas pode estar a saída, ou não, à crise e ao processo destituinte que se vive hoje no Brasil.