Indígenas mobilizados contra as hidrelétricas

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18 Abril 2015

Mundurukus participam da Semana de Mobilização Indígena e integram a luta pelo Tapajós à agenda nacional indígena

A reportagem foi publicada pelo Greenpeace Brasil, 16-04-2015.

Mundurukus na Semana Nacional de Mobilização Indígena (© Fábio Nascimento / Greenpeace)

Lideranças Munduruku estão em Brasília para participar da Semana de Mobilização Nacional Indígena, que reúne 1,5 mil indígenas de todo o Brasil. O objetivo em comum é manifestar a rejeição ao pacote de recentes iniciativas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, que representam um grave ataque aos direitos indígenas previstos na constituição brasileira.

Sob a liderança do Cacique Geral do Povo Munduruku, Arnaldo Kaba, as lideranças vêm participando ativamente das atividades da Mobilização Indígena, integrando sua luta e de seu povo contra a construção de hidrelétricas no rio Tapajós à agenda nacional indígena. Na semana passada, os Munduruku reafirmaram a decisão de lutar contra a construção de hidrelétricas do Complexo Tapajós durante Assembleia Geral do povo.

Convidada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a líder das guerreiras Munduruku, Maria Leusa Cosme Kaba Munduruku, falou às mais de milhares de lideranças presentes na abertura do Acampamento Terra Livre. Durante seu discurso, Maria Leusa reafirmou o compromisso do povo Munduruku contra a PEC 215 e contra todas as iniciativas que tentam suprimir ou fragilizar os direitos indígenas no Brasil, e reiterou a disposição de seu povo em lutar contra os grandes empreendimentos hidrelétricos da Amazônia.

Enquanto os Munduruku consolidam a nacionalização da luta pela não construção de usinas hidrelétricas, hoje, dia 15, na Câmara dos Deputados, o Ministro das Minas e Energia Eduardo Braga anuncia investimentos na geração a partir de fontes renováveis como solar e eólica, mas também reafirma a disposição do governo Dilma em continuar com a política de centralizar a produção de energia a partir de grandes hidrelétrica na Amazônia, seguindo na contramão da necessidade de diversificação da matriz energética nacional e ignorando os graves desdobramentos dessa política.

O Greenpeace faz campanha para sensibilizar o governo e a sociedade quanto aos graves e irreversíveis impactos sociais na região e aos riscos à conservação do bioma amazônico, inerentes à construção desses grandes empreendimentos.

“O Brasil não precisa das hidrelétricas. O que precisamos é de robustos investimentos para diversificar e descentralizar a matriz energética nacional, com o uso de fontes renováveis como solar e eólica, sob pena de aprofundar nossa hidrodependência”, afirma Danicley Aguiar, da campanha da Amazônia do Greenpeace. “O progresso que o governo tanto defende ao incentivar esses grandes investimentos atende aos interesses econômicos de uma minoria e os povos tradicionais não estão incluídos nessa conta”, conclui ele.