Governo Bolsonaro: a prova que os “demônios” existem

Jair Bolsonaro | Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

30 Agosto 2019

"Bolsonaro e membros de seu Governo são agentes do Mal (o Antirreino de Deus), que - hipócrita e oportunisticamente - pretendem institucionalizar e legitimar, usando o nome de Deus em vão e falsificando o sentido do Evangelho, inclusive com as “bênçãos” de alguns líderes religiosos (padres, pastores e outros) ingênuos ou interesseiros", escreve Marcos Sassatelli, frade dominicano, doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP), professor aposentado de Filosofia da UFG.

Eis o artigo.

Hoje, no Brasil, o Governo Bolsonaro é a prova que os “demônios” existem. As falas e as atitudes do presidente são tão perversas, iniquas, arrogantes e cínicas - sobretudo em relação aos pobres - que só podem ser de um “demônio”, apoiado por outros “demônios” (ministros, familiares e outros).

Bolsonaro e membros de seu Governo são agentes do Mal (o Antirreino de Deus), que - hipócrita e oportunisticamente - pretendem institucionalizar e legitimar, usando o nome de Deus em vão e falsificando o sentido do Evangelho, inclusive com as “bênçãos” de alguns líderes religiosos (padres, pastores e outros) ingênuos ou interesseiros.
Um exemplo desse comportamento “demoníaco” (além de muitos outros: o incentivo ao porte de armas e à prática da violência; a exaltação da ditadura civil-militar, chamando torturadores de heróis; o aumento da desigualdade social; a destruição do meio ambiente; etc.) é a chamada Reforma (na verdade, Antirreforma) da Previdência.

Segundo a Constituição da República Federativa do Brasil, “a Seguridade Social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à Saúde, à Previdência e à Assistência Social” (art. 194).

A Antirreforma da Previdência do Governo Bolsonaro é a destruição da Seguridade Social. Quem paga a conta dessa Antirreforma são os trabalhadores, sobretudo os que ganham menos. Os ricos tornam-se cada vez mais ricos às custas dos pobres cada vez mais pobres.

Temos muitos estudos e pesquisas científicas que - inquestionavelmente - mostram essa realidade “demoníaca”. (Para ter uma visão geral da situação, leia o artigo: Ivo Lesbaupin. A destruição da Previdência Social e o empobrecimento da população.

Os deputados e senadores que - sabendo disso (e todos sabem...) votaram e/ou votarão a favor da Antirreforma, são também verdadeiros “demônios”, que matam os pobres (e Jesus de Nazaré na pessoa dos pobres), mesmo quando - farisaicamente - se dizem cristãos, fazem parte da Frente Parlamentar Católica (ou Evangélica) e participam de Movimentos de Igreja como a Renovação Carismática Católica. Quanta hipocrisia! Quanto farisaísmo! Dá nojo!

Na “Mensagem da CNBB ao Povo Brasileiro” (7/5/19), os bispos - reunidos na 57ª Assembleia Geral (Aparecida - SP, 1-10/5/19) - declararam: “Nenhuma Reforma será eticamente aceitável se lesar os mais pobres” (premissa maior). Infelizmente, os bispos não completaram o raciocínio (o silogismo). Como profetas, deveriam ter acrescentado: “A Antirreforma da Previdência do Governo Bolsonaro lesa os mais pobres” (premissa menor). Portanto, “ela não é eticamente aceitável” (conclusão). Quem sabe, um pouco de lógica aristotélico-tomista não poderia ajudar os bispos!

Como Igreja que - no Brasil e no mundo de hoje - tem uma missão profética - nunca esqueçamos as palavras de Santo Oscar Romero: “Num país de injustiças, se a Igreja não é perseguida, é porque é conivente com a injustiça”.

Parabéns à Arquidiocese de Londrina pelo testemunho profético que nos deu, posicionando-se de maneira clara - com coragem e sem medo - contra a Antirreforma da Previdência do Governo Bolsonaro. A nossa solidariedade a todos os irmãos e irmãs da Arquidiocese, que - por causa de sua postura evangélica - recebem inúmeros ataques. Estamos com vocês!

Ah, se todas as Igrejas no Brasil tivessem tomado ou tomassem a mesma posição da Arquidiocese de Londrina! Infelizmente, a omissão e o comportamento “diplomático” (no Evangelho não existe “diplomacia”) são duas faces “demoníacas” do pecado estrutural da Igreja. “Que o sim de vocês seja sim, e o não seja não. O que passa disso vem do demônio” (Mt 5,37).

Não percamos a esperança! A vitória é nossa! “Neste mundo vocês terão aflições, mas tenham coragem! Eu venci o mundo (do Mal)” (Jo 16,33).

Leia mais