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26 Outubro 2015

Esta é uma nova fumaça branca. A Igreja reunida em Roma não deu ao Papa Francisco um voto de desconfiança mas, pelo contrário, o "elegeu" pela segunda vez. E nem trancafiou a vontade reformista de Jorge Mario Bergoglio: a questão dos sacramentos aos divorciados recasados será avaliada caso a caso. Caberá aos bispos e aos padres, aos que servem desde abaixo a Igreja, e não a quem está lá no alto, isto é, aos teólogos que comandam a Cúria.

A reportagem é de Carlo Tecce, publicado por il Fatto Quotidiano, 25-10-2015. A tradução é de IHU On-Line.

O sínodo aprovou a relação final com a maioria qualificada (os dois terços), mas reduziu os consensos para o parágrafo 85, o mais delicado, que passou um voto do limite dos 177 (178 sim e 80 não). Porque o ponto 85 absorve as mediações entre conservadores e progressistas sobre os divorciados, as aberturas e as exceções, com uma linguagem felpuda: "Mesmo mantendo a norma geral, é necessário reconhecer que a responsabilidade de determinadas ações ou decisões, não é a mesma em todos os casos. O discernimento pastoral, sempre tendo em conta a consciência retamente formada das pessoas, deve dar conta destas situações".

Para anular as pressões do grupo de reacionários, as sentinelas do Papa Francisco na assembleia - o cardela Lorenzo Baldisseri e o arcebispo Bruno Forte - trabalharam para aliviar as divisões. Isto impediu, inclusive, que o texto fosse rejeitado. Pelo contrário, o texto obteve a unanimidade na comissão e na aula sempre teve 66 por cento dos consensos.

Não era o momento para forçar a Igreja mais reacionária, dispersa nos cinco continentes e representada na Cúria pelos cardeais Robert Sarah e Gerhard Müller. Não havia a exigência de forçar sobre os divorciados, porque Bergoglio já interveio sobre o tema com o duplo motu proprio de setembro que agiliza o processo de nulidade. Na prática, não muda muito. Em teoria, a Igreja confirma a linha de Bergoglio. Que, no entanto, não é nada terno. No discurso de clausura disse: "O Sínodo nos fez entender melhor que os verdadeiros defensores da doutrina não são aqueles que defendem a letra mas o espírito, não as ideias mas a pessoa humana, não as fórmulas, mas a gratuidade do amor de Deus e do seu perdão".

Uma mensagem explícita para Sarah e os colegas. Nada de revolucionário sobr os homossexuais, somente a repetição de um conceito: "Devem ser respeitados na sua dignidade para evitar qualquer tipo de injusta discriminação".

Mas sobre as uniões civis, a Igreja continua inflexível. "Acerca dos projetos de equiparação ao matrimônio, não existe nenhum fundamento para assimilar ou estabelecer analogias, ainda que remotas, entre as uniões homossexuais e o desígnio de Deus sobre o matrimônio e a família". É reafirmada a tolerância zero contra os pedófilos.

O documento aprovado no Sínodo tem um valor político para o argentino Bergoglio e os seus opositores internos, relegados a uma minoria.

Mas não ignorou a tensão que acompanhou estas três semanas sinodais e não removeu a carta de protesto dos treze cardeais: "O diálogo foi enriquecido por opiniões diferentes que se expressaram livremente e, às vezes, com métodos não totalmente benévolos".

O Sínodo ordinário deste ano, que celebra os cinquenta anos da sua criação por Paulo VI, sancionou a postura bergogliana do Vaticano: "O primeiro dever da Igreja não é distribuir condenações e anátemas, mas proclamar a misericórdia de Deus, de chamar à conversão e de conduzir todos os homens à salvação".

Assim termina o Sìnodo na versão Conclave.