Presidente do Congresso dos EUA tentou levar o papa ao Capitólio durante 20 anos

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28 Setembro 2015

Como um congressista em segundo mandato, John Boehner organizou um abaixo-assinado pedindo que o então presidente do Congresso, Tom Foley, convidasse o papa a discursar para uma sessão conjunta do Congresso, escrevendo em 1994 que, como "líder mundial, embaixador da paz e um importante catalisador na queda da Cortina de Ferro, o papa é uma figura importante na política mundial". Foley fez o pedido, mas aquele papa e o próximo recusaram o pedido do republicano de Ohio.

A reportagem é de Deirdre Shesgreen, publicada no sítio USA Today, 22-09-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Mais de 20 anos depois, agora ele mesmo como presidente do Congresso, Boehner estava realizando um sonho que se tornou realidade, enquanto se preparava para a chegada do Papa Francisco ao Capitólio dos Estados Unidos para o primeiro discurso papal ao Congresso.

"Para um menino católico como eu, este é um grande acontecimento", disse Boehner em uma entrevista. Em sua casa de infância em Reading, recordou Boehner, "havia uma foto do papa e uma foto do presidente Kennedy. E quase todos os dias eu rezava pelo papa, assim como pelo arcebispo".

Os legisladores de todos os credos disputavam um lugar na primeira fila para o histórico discurso do papa nessa quinta-feira, 24 de setembro. Mas ninguém estava mais animado do que Boehner, que fez o convite ao Papa Francisco pela primeira vez em março de 2014, cerca de um ano depois que o pontífice foi escolhido para suceder o Papa Bento XVI.

Passaram-se meses, e Boehner tinha pouca esperança de que essa súplica iria receber uma resposta diferente das anteriores. Mas então ele recebeu um telefonema de Roma. Do outro lado da linha estava o arcebispo de Washington, o cardeal Donald Wuerl, que disse a Boehner que o papa estava animado com o convite.

 "Não ficou firme naquele ponto, mas foi um momento muito emocionante e um grande telefonema", disse Boehner.

Desde então, a equipe de Boehner passou quase sete meses se preparando para a visita papal – abrindo o West Lawn do Capitólio para que os fiéis-fãs pudessem assistir ao discurso do papa ao vivo nos telões e convocando cerca de 100 funcionários do Congresso para lidar com tudo, desde a logística até a etiqueta. Uma multidão de cerca de 40.000 pessoas era esperada para se reunir no gramado oeste para o discurso.

"Todo mundo tem me incomodado sobre os bilhetes", brincou Boehner. Ele disse que convidou dezenas de moradores de Ohio para ver o discurso na Frente Ocidental do Capitólio, mas ele se recusou a dizer quem – além da sua esposa, Debbie – receberia os cobiçados bilhetes para se sentar no interior da Câmara. (…)

Boehner disse que trabalhou para fazer esse momento acontecer, porque ele acredita que vai "ajudar a despertar o Congresso e a despertar o povo norte-americano para os nossos chamados mais elevados".

Além disso, ele sonhava em se encontrar com o papa desde que ele era coroinha em Reading, onde ele era um dos 12 filhos e onde ele ia à missa quase todas as manhãs antes de sair para a escola.

"Ele olhava para o papa quase como para Deus vivo na Terra, ou, ao menos, como para o representante de Deus", disse Jerry Vanden Eynden, um amigo de Boehner desde a infância. "Então, para Boehner, encontrá-lo e fazer tudo isso é algo grande, muito grande para ele."

Antes do discurso do papa ao Congresso, Boehner pôde se encontrar com o pontífice face a face no seu imponente escritório do Capitólio. Antes do encontro, o republicano de Ohio disse que não estava nervoso – e que não preparou o que dizer.

"Vai ser como se encontrar com qualquer outro líder mundial, exceto que ele é o chefe da Igreja Católica e é um descendente de São Pedro", disse Boehner. "Tenho certeza de que Deus vai me dar todas as palavras certas."

Nota da IHU On-Line:

O presidente do Congresso Americano, John Boehner, não conteve a sua emoção e chorou. Veja o vídeo clicando aqui. Um dia após a visita do Papa ao Congresso, John Boehner renunciou à presidência, reagindo às pressões dos setores mais conservadores do Partido Republicano, vinculados ao Tea Party, que fazia oposição a Boehner.

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