25 Fevereiro 2015
Com pouco mais de um mês antes de enviar seus relatórios a Roma, mais da metade das dioceses dos Estados Unidos convidou os católicos em suas respectivas regiões que opinassem tendo em vista a Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a família a ser realizado no Vaticano, em outubro deste ano.
A reportagem foi publicada pelo National Catholic Reporter, 23-02-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.
Uma sondagem feita pelo National Catholic Reporter nos sítios eletrônicos e em publicações online das 33 arquidioceses do Rito Latino e das 145 dioceses, também do Rito Latino – sondagem conduzida nos dias 19 e 20 de fevereiro –, constatou que cerca de 52% delas (93 ao total) começaram a coletar informações com a participação dos fiéis e/ou de organizações. Nas 85 dioceses restantes, não estava claro como ou se elas estavam coletando respostas dentro de suas jurisdições.
Quase dois terços das arquidioceses do país (21) coletaram informações para o Sínodo dos Bispos, evento que irá abordar assuntos relacionados ao matrimônio e à fida familiar, com 17% das arquidioceses realizando pesquisas online. Quanto às dioceses, cerca da metade (72) buscou recolher respostas dos fiéis, com 48% usando formulários online.
Em 2013, o Papa Francisco iniciou uma consulta geral com duração de dois anos na Igreja sobre assuntos relacionados à família. Esta consulta incluiu uma Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, ocorrida no Vaticano em outubro de 2014, e uma Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos a acontecer entre os dias 4 e 25 de outubro de 2015 também no Vaticano e que se focará sobre o tema: “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”.
Em dezembro, o Vaticano enviou às conferências episcopais do mundo todo o relatório final da assembleia de 2014 e uma lista com 46 questões sobre uma grama de assuntos, entre eles o matrimônio e a sexualidade. Estas questões e o relatório formam o documento de trabalho, conhecido como lineamenta, para o Sínodo dos Bispos deste ano.
Uma equipe que trabalha para a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, responsável por compilar um relatório a partir destas consultas e enviá-lo ao Vaticano em abril, pediu que as dioceses submetam suas respostas a ela até 20 de março.
No momento, 18 dioceses já não mais estão coletando informações. Outras 11 irão parar de aceitar submissões no final do mês de fevereiro.
Quando o Sínodo começar no dia 4 de outubro, seis bispos americanos representarão os católicos do país, e mais dois foram designados como suplentes.
Destes oito, o National Catholic Reporter encontrou informações sobre como seis deles estão se preparando para o Sínodo. São eles: Dom Joseph Kurtz (Arquidiocese de Louisville, Kentucky); Dom Charles Chaput (Arquidiocese da Filadélfia); Dom Jose Gomez (Arquidiocese de Los Angeles); Dom Salvatore Cordileone (suplente da Arquidiocese de San Francisco); os cardeais Donald Wuerl (de Washington, D.C.) e Timothy Dolan (de Nova York). Wuerl e Dolan são membros do Conselho Ordinário do Sínodo dos Bispos.
Pôde-se se saber claramente como o Cardeal Daniel DiNardo (da Arquidiocese de Galveston-Houston, Texas) e Dom Blase Cupich (suplente da Arquidiocese e de Chicago) estavam coletando informações em suas respectivas jurisdições.
A Arquidiocese de Boston – cujo Cardeal Sean O’Malley não está entre os delegados sinodais, porém é membro do Conselho dos Cardeais do papa – ofereceu um resumo de seis questões feito a partir da sondagem em sua jurisdição eclesiástica, além de uma série de vídeos mostrando vários assuntos que o Sínodo irá discutir. A arquidiocese tinha programado cinco sessões de formação sobre o Sínodo, mas dias de históricos de neve na região levaram ao cancelamento de duas delas.
Outras arquidioceses de peso sem uma forma explícita de recolher respostas dos fiéis às questões proposta para o Sínodo incluíram as de Atlanta, Baltimore e Miami.
Algumas dioceses que escolheram não ter uma participação geral na construção dos relatórios explicaram como irão elaborá-los. Na Diocese de Grand Rapids, no estado do Michigan, por exemplo, um anúncio em seu sítio eletrônico afirmava que o questionário do documento de trabalho sinodal (os lineamenta) fora fornecido aos que trabalham na diocese nos setores de acompanhamento pastoral e liderança”, e pedia que estes respondessem o questionário até 4 de março.
Na pesquisa feita nos sítios diocesanos, o National Catholic Reporter conferiu a página inicial deles, as seções da vida familiar e/ou para o matrimônio, notas à imprensa e publicações diocesanas desde o começo do ano, além de buscar nos campos de pesquisa o termo “sínodo”.
Ao descrever o lineamenta de 46 itens – maior do que o questionário do ano passado, de 39 questões – como “uma série extensa de questões”, a Diocese de Charlotte, no estado de Carolina do Norte, sugeriu que os paroquianos dedicassem duas horas a ler o documento e completar a pesquisa online na forma de ensaio.
Algumas dioceses – tais como as de Denver e de Baton Rouge, na Louisiana; a de Crookston, no Minnesota; e Oakland, na Califórnia – apresentaram uma versão reduzida das 46 perguntas. A Diocese de Juneau, no Alaska, forneceu uma versão “anotada”, acrescentando uma contextualização e explicações a cada uma das perguntas. A Arquidiocese de St. Louis acrescentou explicações do tipo “em outras palavras” ao final de várias questões. A Diocese de Trenton, em Nova Jersey, ofereceu o questionário tanto em sua forma completa quanto numa versão simplificada, com 11 questões apenas.
Assim como em Trenton, outras quatro dioceses de Nova Jersey irão pôr em prática a orientação do Papa Francisco de ampliar o diálogo, convidando os leigos a participarem de sessões abertas. A Diocese de Metuchen, Nova Jersey, irá ter duas sessões de escuta no dia 4 de março, em inglês e espanhol, enquanto que a Arquidiocese de Newark irá realizar nove sessões de “Escuta e Debates”, sendo três em espanhol.
Sessões de escuta foram também o método preferido de envolvimento dos fiéis em Tucson, no Arizona, onde Dom Gerald Kicanas realizou quatro reuniões de duas horas com os paroquianos, a última acontecendo no dia 15 de fevereiro. A Diocese de Scranton, na Pensilvânia, além de disponibilizar uma consulta online, ofereceu recursos para que as paróquias e organizações locais fizessem os seus próprios encontros.
31 dioceses disponibilizaram a pesquisa ou o documento de trabalho – lineamenta – em inglês e espanhol; a Diocese de San Jose, na Califórnia, também disponibilizou uma versão em vietnamita.
Das dioceses que disponibilizaram publicamente o questionário do Sínodo, com duas exceções, nenhuma especificou como ou se pretendia divulgar as informações recebidas à Igreja local ou se o bispo responderia às informações recolhidas.
Uma exceção foi a Diocese de Stockton, também na Califórnia, que já tinha providenciado um retrato detalhado de suas respostas, recolhidas através de uma consulta entre os padres e os conselhos paroquiais.
Mais da metade dos participantes da consulta tinha 55 anos ou mais, quase dois terços eram mulheres e certa de 70% eram casados. Alguns assuntos com oposição esmagadora incluíram cerimônias civis gays – com mais da metade dos respondentes sendo contra esta ideia – e casamentos acontecendo na Igreja Católica, com 77% dizendo que isto lhes era muito importante. As questões envolvendo o controle de natalidade, tratamento da infertilidade, a eficácia do ensinamento eclesial sobre a vida familiar receberam respostas variadas, com uma distribuição quase igual de porcentagem.
Tal como já havia sido informado aqui no National Catholic Reporter, os dados advindos das pesquisas irão voltar em forma de relatório às paróquias com sugestões de como resolver questões que gerarem preocupação.