Papa recebe carta contendo críticas ao tratamento dado à LCWR

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26 Junho 2014

O Papa Francisco recebeu uma carta enviada por destacados teólogos americanos e grupos filantrópicos católicos em que se critica o tratamento dado pelo Vaticano à Conferência de Liderança das Religiosas (Leadership Conference of Women Religious – LCWR), segundo um grupo que organizou a assinatura da carta.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por jornal National Catholic Reporter, 23-06-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Esta iniciativa, anunciada segunda-feira pelo grupo Catholics in Alliance for the Common Good, pode representar o primeiro apelo direto de que se tem notícia recebido pelo pontífice relacionado à LCWR, grupo representante de aproximadamente 45 mil irmãs católicas americanas e que foi posto sob vigilância da Congregação para a Doutrina da Fé.

Houve também uma série de outras iniciativas empreendidas por católicos dos EUA para levar ao Papa Francisco a questão da LCWR. Entre elas está uma petição online organizada em maio que alcançou cerca de 10 mil assinaturas.

“Achamos que as críticas feitas à Conferência de Liderança das Religiosas têm sido injustas”, diz a carta enviada nesta segunda-feira (23 de junho), assinada por seis de teólogos, pelos presidentes das organizações Catholics in Alliance e Franciscan Action Network, além de ex-representantes do Center of Concern e da Catholic Theological Society of America.

“Parece que se ignorou o seu chamado por uma ‘Igreja pobre que trabalha em nome dos pobres’ e que se optou, pelo contrário, por acusar injustamente a LCWR de não conseguir se manter na linha de frente dos mesmos ensinamentos que o senhor, com razão, disse que devem ser postos em perspectiva, especialmente quando comparado à grande necessidade de nossa Igreja de ser ‘conduzida pelos pastores com cheiro de ovelhas no meio do rebanho” e quando se concentra nas necessidades dos ‘menores’ entre nós”, lê-se na carta.

“Hoje pedimos apenas que o trabalho destas mulheres seja honrado em vez de criticado e que a devoção delas não seja impedida por sanções punitivas”, conclui. “Mui respeitosamente desejamos que o senhor saiba que nós católicos amamos nossas irmãs e acreditamos que o serviço altruísta delas seja a demonstração mais autêntica de sua visão da nossa querida Igreja”.
Christopher Hale, membro do grupo Catholics in Alliance, disse numa breve entrevista que a carta fora dada a alguém que tem “laços estreitos” com o papa, alguém em condições de entregá-la ao pontífice.

LCWR, cujas raízes remontam à década de 1950, foi fortemente criticada pela Congregação para a Doutrina da Fé em abril de 2012. Na época, o Papa Bento XVI nomeou o arcebispo de Seattle, Dom Peter Sartain, como o delegado apostólicos do grupo, dando-lhe autoridade para analisar e revisar as práticas da organização.

Embora venham sendo escassas as notícias do efeito causado pela ordem vaticana desde sua promulgação em 2012, o líder da Congregação voltou a criticar, em maio, de forma dura a LCWR ao falar às líderes da organização durante a visita anual feita a Roma, quando elas se encontram com as congregações no Vaticano.

A LCWR diz que os motivos citados pelo Vaticano para a nomeação de Sartain não constituem uma representação precisa do trabalho que fazem. O grupo das irmãs vai se encontrar em agosto, no estado do Tennessee, para realizar a sua assembleia geral, evento anual que reúne cerca de 800 religiosas americanas e onde a questão do Vaticano será provavelmente discutida.