Francisco como “Personalidade do Ano”. Algumas considerações

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12 Dezembro 2013

Capa da revista Time desta semana

 


Na última confirmação de quão positivamente o Papa Francisco tem surpreendido o mundo, a revista Time o nomeou como sua Personalidade do Ano, ultrapassando finalistas como Edward Snowden, Bashar al-Assad e até mesmo Miley Cyrus.

O comentário é de John L. Allen Jr. e publicado por National Catholic Reporter, 11-12-2013. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Aqui vão quatro rápidos pensamentos sobre o significado desta homenagem. Em primeiro lugar, esta não é a primeira vez que o um papa recebe esta distinção. João Paulo II havia sido escolhido pela Time, no ano de 1994, em parte devido a sua liderança moral e em parte como um reconhecimento atrasado de seu papel na queda do comunismo.

É claro, naquela época João Paulo II já era papa havia 16 anos; o fato de Francisco ter recebido esta homenagem dentro de seu primeiro ano é um indício de quão rápida e completa sua imagem foi capturada pelo mundo, pelas pessoas em geral.

Há que se dar créditos à Time por colocar a palavra-chave no texto de chamada. Antes eu havia observado que a melhor maneira de capturar a visão de Francisco é aquela de um “Papa da misericórdia”, e o tributo de hoje diz que a revista considerou Francisco em parte por seu “juízo balanceado com misericórdia”.

Para que fique registrado, a revista Time não é o primeiro meio de comunicação a declarar Francisco como personalidade do ano. Tal distinção pertence à edição italiana da revista semanal Vanity Fair, que puxou o gatilho para a premiação já no mês de julho. A resenha incluía uma avaliação do famoso vaticanologista Elton John, quem apregoou Francisco como um “milagre de humildade numa época de vaidades”.

Em segundo lugar, o fato de Francisco ter superado Miley Cyrus, em que é, ao menos em parte, um referendo ao apelo das celebridades, diz algo positivo de nossa cultura. Ao menos neste caso, podemos estar razoavelmente certos de que não será feita uma nova tatuagem para comemorar o momento.

Em terceiro lugar, dada a propensão de Francisco de levar muito a sério a capa da revista, certametne ele não irá sair por aí distribuindo charutos, no Vaticano, para comemorar. Por outro lado, ele é um papa tremendamente missionário que quer uma Igreja engajada no mundo. O fato de que o mundo parece estar lhe respondendo irá, pois, incentivá-lo ainda mais.

Em quarto lugar, provavelmente haverá um grau de efeito colateral, a partir do prêmio, em alguns círculos católicos, entre crentes que ficam nervosos quando o mundo parece demasiado favorável em relação à Igreja. A pergunta é sempre esta: Eles realmente entendem o que estamos dizendo?

É claro que há um risco de simplificação ou de caricatura quando a cultura das celebridades assume o comando das percepções dos líderes religiosos. Dito isso, a pergunta é qual o problema que os católicos desejam que seu papa tenha: decidir o que fazer com o interesse do mundo relativo ao papa ou, antes, lutar para que ele seja ouvido e que tenha repercussão?

A maioria das pessoas irá provavelmente dizer que o primeiro problema é, de longe, o melhor a se ter.