Uma mulher cardeal? Seria simbólico, o Papa quer substância

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05 Novembro 2013

"É razoável imaginar que um dia teremos as mulheres participando do Conclave, mas por um caminho mais longo do que seria, hoje, a nomeação de uma mulher cardeal", escreve o vaticanista italiano Luigi Accattoli em artigo publicado em Corriere della Sera, 04-11-2013. A tradução é de Anete Amorim Pezzini.

Eis o artigo.

Que o Consistório de fevereiro aponte uma mulher cardeal é possível, mas não provável. Entre os canonistas é muito difundida a expectativa de participação dos leigos na eleição do Papa; mas é considerada pouco praticável, para tal fim, a via do cardinalato, cuja extensão aos leigos e às mulheres representa mais problemas do que seria possível resolver.

Para tornar uma mulher cardeal, o papa deveria mudar três disposições que estão nos cânones 350 e 351, do Código de 1983: a que reserva o cardinalato aos homens; aos homens "feito pelo menos na ordem do presbiterado" (já que são, pelo menos, sacerdotes ), e uma terceira que prevê a atribuição "a cada cardeal” de "um título ou uma diaconia na Urbe" (isto é, a regência formal de uma igreja de Roma, porque os cardeais, em sua origem, eram sacerdotes romanos).

O Papa poderia derrogar essas disposições, com um reescrito de três linhas. Ou poderia constituir ao lado das três ordens cardinalícias existentes – bispos, sacerdotes e diáconos – uma quarta ordem, a dos leigos, e prever que nela poderiam entrar as mulheres. Não haveria obstáculos doutrinais, e as dificuldades jurídicas são fáceis de dissolverem-se, mas a escassa probabilidade de entrada por essa via repousa no fato de que provocaria uma avalanche de queixas, sem que se resolvesse qualquer verdadeiro problema. A chegada de uma mulher cardeal teria um valor simbólico, mas seria de pouco significado para a presença do gênero feminino nos “lugares das decisões”, que é o objetivo de Francisco.

Quanto à eleição do Papa, o plenário dos cardeais eleitores é hoje de 120 membros: que diferença faria uma única mulher em tamanho colegiado? Também é impensável uma “quota rosa” que dê consistência em curto prazo à presença feminina entre as eminências.

É razoável imaginar que um dia teremos as mulheres participando do Conclave, mas por um caminho mais longo do que seria, hoje, a nomeação de uma mulher cardeal.