Um herege reabilitado?

Mais Lidos

  • Edgar Morin e o seu centenário. Odisseia, complexidade e incerteza

    LER MAIS
  • Edgar Morin (1921-2026): “A experiência me mostrou que o improvável pode acontecer”

    LER MAIS
  • Quando o clericalismo se torna narcisismo, o altar transforma-se num palco. Artigo de Phyllis Zagano

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

24 Setembro 2011

"Para Lutero, Deus não era uma questão acadêmica, mas sim uma luta consigo mesmo, enquanto hoje muitos fiéis se esquecem do pecado", afirma Bento XVI.

A nota é de Giacomo Galeazzi, publicada no blog Oltretevere, 23-09-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O papa visitou a cidade onde foi ordenado o monge alemão que, no século XVI, rompeu com o papado e deu início à mais ampla reforma da história do cristianismo, e enfatizou a atualidade da sua fé com relação à atitude morna de muitos fiéis de hoje.

"Como posso ter um Deus misericordioso?", disse Joseph Ratzinger, citando o pai do protestantismo. "Surpreende-me sempre novamente que essa pergunta tenha sido a força motriz de todo o seu caminho. De fato, quem se preocupa hoje com isso, mesmo entre os cristãos? O que significa a questão sobre Deus na nossa vida? No nosso anúncio? A maior parte das pessoas, mesmo cristãos, dão por certo hoje que Deus, em última análise, não se interessa pelos nossos pecados e pelas nossas virtudes".

E, ao contrário, "o mal não é uma inépcia", disse o papa ainda. "Ele não poderia ser tão poderoso se verdadeiramente colocássemos Deus no centro da nossa vida. A pergunta: qual é a posição de Deus com relação a mim, como eu me encontro diante de Deus? – essa candente pergunta de Martinho Lutero também deve se tornar novamente, e certamente de uma forma nova, a nossa pergunta".

"Para mim, como bispo de Roma, é um momento emocionante encontrar aqui, no antigo convento agostiniano de Erfurt, representantes do Conselho da Igreja Evangélica da Alemanha", disse o papa. "Aqui, Lutero estudou teologia. Aqui, ele foi ordenado sacerdote em 1507. Contra o desejos de seu pai, ele não continuou os estudos de jurisprudência, mas estudou teologia e se encaminhou para o sacerdócio na Ordem de Santo Agostinho. Neste caminho, não lhe interessava isto ou aquilo. O que não lhe dava paz era a questão sobre Deus, que foi a paixão profunda e o impulso da sua vida e de todo o seu caminho. "Como posso ter um Deus misericordioso?": essa pergunta lhe penetrava o coração e estava por trás de toda a sua pesquisa teológica sua e de toda a luta interior. Para ele, a teologia não era uma questão acadêmica, mas sim a luta interior consigo mesmo, e isso, depois, era uma luta referente a Deus e com Deus".