24 Setembro 2011
"Para Lutero, Deus não era uma questão acadêmica, mas sim uma luta consigo mesmo, enquanto hoje muitos fiéis se esquecem do pecado", afirma Bento XVI.
A nota é de Giacomo Galeazzi, publicada no blog Oltretevere, 23-09-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
O papa visitou a cidade onde foi ordenado o monge alemão que, no século XVI, rompeu com o papado e deu início à mais ampla reforma da história do cristianismo, e enfatizou a atualidade da sua fé com relação à atitude morna de muitos fiéis de hoje.
"Como posso ter um Deus misericordioso?", disse Joseph Ratzinger, citando o pai do protestantismo. "Surpreende-me sempre novamente que essa pergunta tenha sido a força motriz de todo o seu caminho. De fato, quem se preocupa hoje com isso, mesmo entre os cristãos? O que significa a questão sobre Deus na nossa vida? No nosso anúncio? A maior parte das pessoas, mesmo cristãos, dão por certo hoje que Deus, em última análise, não se interessa pelos nossos pecados e pelas nossas virtudes".
E, ao contrário, "o mal não é uma inépcia", disse o papa ainda. "Ele não poderia ser tão poderoso se verdadeiramente colocássemos Deus no centro da nossa vida. A pergunta: qual é a posição de Deus com relação a mim, como eu me encontro diante de Deus? – essa candente pergunta de Martinho Lutero também deve se tornar novamente, e certamente de uma forma nova, a nossa pergunta".
"Para mim, como bispo de Roma, é um momento emocionante encontrar aqui, no antigo convento agostiniano de Erfurt, representantes do Conselho da Igreja Evangélica da Alemanha", disse o papa. "Aqui, Lutero estudou teologia. Aqui, ele foi ordenado sacerdote em 1507. Contra o desejos de seu pai, ele não continuou os estudos de jurisprudência, mas estudou teologia e se encaminhou para o sacerdócio na Ordem de Santo Agostinho. Neste caminho, não lhe interessava isto ou aquilo. O que não lhe dava paz era a questão sobre Deus, que foi a paixão profunda e o impulso da sua vida e de todo o seu caminho. "Como posso ter um Deus misericordioso?": essa pergunta lhe penetrava o coração e estava por trás de toda a sua pesquisa teológica sua e de toda a luta interior. Para ele, a teologia não era uma questão acadêmica, mas sim a luta interior consigo mesmo, e isso, depois, era uma luta referente a Deus e com Deus".