Uma trégua. Artigo de Tonio Dell’Olio

Monumento em homenagem à trégua entre ingleses e alemães no Natal de 1914, localizado na Igreja São Lucas, em Liverpool, Inglaterra. Foto: Wikicommons

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12 Abril 2022

 

A condição sub-humana não é dos torturados, mas dos seus torturadores, não é dos civis mortos a sangue frio e enterrados nas valas comuns, mas daqueles que voltaram as costas ao sentimento de humanidade que está esculpido na dignidade dos homens e das mulheres.

 

A opinião é de Tonio Dell’Olio, padre, jornalista e presidente da associação Pro Civitate Christiana, em artigo publicado por Mosaico di Pace, 11-04-2022. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

Eis o texto.

 

De joelhos diante de Deus, mas também diante dos homens e mulheres, impetramos e imploramos que o convite do Papa Francisco para uma trégua pascal seja ouvido. Seria uma bênção para todos!

 

Estamos cientes de que uma trégua não é uma paz, mas constituiria o tempo mais oportuno (kairós) para refletir, negociar, encontrar, dialogar... O risco concreto é que, no ponto em que estamos, o conflito possa realmente se estender. Bastaria pouco para que uma bomba atravesse as fronteiras geográficas e da razão.

 

Mais uma vez é o papa quem pede sabedoria: “Que vitória será aquela que plantará uma bandeira em um amontoado de escombros?”. Mas parece que a guerra transporta sempre as piores escórias da inteligência e da piedade humana, e não nos leva a parar diante do horror, mas sim a nos arrastar até ao ponto de degradação da própria humanidade.

 

A condição sub-humana não é dos torturados, mas dos seus torturadores, não é dos civis mortos a sangue frio e enterrados nas valas comuns, mas daqueles que voltaram as costas ao sentimento de humanidade que está esculpido na dignidade dos homens e das mulheres.

 

Teme-se que pessoas que parecem ter se distanciado do gênero humano não hesitariam em envolver o restante do mundo no horror homicida e fratricida que chamamos de guerra. Só nos resta unir a vontade dos povos que sofrem a guerra e não a escolhem. Antes das bombas, façamos que a vontade de paz se estenda para além das fronteiras.

 

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