Congregação acusa bispo transgênero luterano de ações racistas

Imagem: Megan Rohrer | Foto: Pax Ahimsa Gethen / Wikimedia Commons

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11 Abril 2022

 

O Conselho da Igreja Luterana de Nosso Salvador, com sede em Fresno, Estados Unidos, aprovou resolução por unanimidade, em 22 de março, pedindo à bispo presidente da Igreja Evangélica Luterana da América (ELCA), Elizabeth Eaton, e ao Conselho dos Bispos, que deem início ao processo de remoção de pastore transgênero Megan Rohrer, bispo do Sínodo Sierra Pacific, por incompatibilidade ao ministério pastoral.

 

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

 

A resolução arrolou vários motivos para sustentar o pedido, incluindo supostos maus-tratos de bispo ao pastor Nelson Rabell-Gonzalez, da Misión Latina Luterana. Rohrer foi acusade de adotar um “padrão de abuso, intimidação, manipulação de fatos, engano e assassinato de caráter”.

O episcopado de Rohrer, ê primeire bispo transgênero da ELCA, deveria ser motivo de grande celebração, mas, em vez disso, é uma “vergonha para os membros da LGBTQIA+ da Igreja Luterana de Nosso Salvador e sua Missão Esperanza”, reforçaram os conselheiros da congregação.

Antes do Natal passado, Megan Rohrer foi suspense pelo conselho de diretores dos Ministérios Luteranos Extraordinários (ELM), organismo que reúne seminaristas e ministros queer, acusade de usar palavras e recorrer a ações racistas.

Declaração pública da ELM assinala que Rohrer foi suspense devido “a um padrão de comportamento” que colocava ê bispo em desacordo com “a missão, visão e valores” da organização, de modo específico no que se refere ao racismo

O caso envolve a saída do pastor Nelson Rabell-González, demitido por Megan Rohrer como pároco da Misión Latino Luterana em Stockton, Califórnia, em 12 de dezembro. Nelson denunciara o assédio que mulheres sofreram de um pastor da sua ex-paróquia São Paulo, em Lodi, Califórnia. O ministro luterano afro-caribenho levou a informação ao pastor sênior da São Paulo, Mark Price, que não tomou qualquer providência. Ao contrário, Nelson foi acusado de maltratar o colega denunciado. 

Nelson também foi acusado de organizar um protesto Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) contra a brutalidade policial depois do assassinato de George Floyd. “Não é de surpreender que membros da comunidade retaliassem”, escreveu a pastora Dra. Leah D. Schade, professora no Lexignton Theological Seminary de Kentucky e colega de Nelson no seminário que os formou. 

O pastor Price e membros ricos da congregação exigiram que Nelson renunciasse e assinasse documento comprometendo-se a não divulgar nada sobre o racismo que experimentou na congregação de São Paulo em troca de três meses de salário. Nelson negou-se a assinar tal acordo, informou o The Christian Post

Sentindo-se ameaçado por seu bispo, o pastor Nelson contatou a bispa presidenta da ELCA para apresentar acusações a Rohrer sobre a aplicação indevida de processo eclesial contra ele. O Conselho Geral da ELCA respondeu alegando que a bispa presidenta não é a empregadora ou supervisora de bispos sinodais e que não via qualquer motivo para acionar ê bispo Rohrer. Agora o pedido de desligamento de Rohrer partiu de uma congregação. 

Depois de receber relatório de um painel consultivo para o qual o pastor Nelson compartilhou o que sabia sobre o assédio sofrido pelas mulheres na congregação São Paulo, Megan Rohrer desconsiderou o relatório e impôs que o denunciante teria que se submeter à terapia. 

Como colega pastoral e amiga, a Dra. Leah D. Schade se viu obrigada, como escreveu, “a atestar sua integridade (de Nelson) e caráter ético. Esse conhecimento também me obriga a denunciar a corrupção e o racismo dentro da denominação que ambos servimos”. A confiança na ELCA, uma denominação 97% branca, “foi destruída”, agregou.

Depois do desligamento do pastor Nelson, a congregação da Misión Latina Luterana, de Stockton, Califórnia, saiu da igreja onde Rohrer estava assumindo o culto do dia 12 de dezembro, quando elu anunciou a exoneração de Nelson, e foi congregar no Centro Agrícola, onde seus membros residem. 

O pastor Nelson não está sozinho. Um grupo de apoiadores, organizados no site ELCA Churchwide Office, exige a reintegração do pastor afro-caribenho como pároco da Misión Latina Luterana. Pedem também que seja emitido pedido público de desculpas à congregação e ao pastor, e que seja realizada uma investigação completa e independente das acusações contra o pastor Nelson, para que ele possa se defender.

 

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