Alemanha. Bispos pedem mudanças no catecismo sobre a sexualidade

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08 Março 2022


O presidente da Conferência dos Bispos Católicos da Alemanha pediu por mudanças no ensino da Igreja sobre o sexo fora do casamento e a homossexualidade.

 

A reportagem é publicada por Catholic News Agency, 04-03-2022. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

 

Em entrevista à revista alemã Bunte, publicada em 04 de março, dom Georg Bätzing concordou com as afirmações dos jornalistas que “ninguém” adere aos ensinamentos da Igreja de que a sexualidade somente pode ser praticada dentro do casamento, dizendo: “Isso é verdade. Nós temos que fazer alguma mudança no catecismo sobre esse tema. Sexualidade é um dom de Deus. E não um pecado”.

 

Questionado se as relações entre pessoas do mesmo sexo seriam permitidas, o prelado alemão respondeu: “Sim, tudo bem se for feito com fidelidade e responsabilidade. Isso não afeta o relacionamento com Deus”.

 

Bätzing, bispo de Limburg, oeste da Alemanha, acrescentou: “Como alguém vive sua intimidade pessoal não é da minha conta”.

 

Ninguém empregado pela Igreja deve ter medo de perder o emprego por causa disso, disse ele.

 

O teólogo alemão Martin Brüske criticou duramente os comentários de Bätzing em entrevista à CNA Deutsch, parceira de notícias de língua alemã da CNA.

 

“O argumento de dom Georg Bätzing aqui é complicado”, disse ele. “Ele está insinuando que o Catecismo e, portanto, a tradição da Igreja estão de alguma forma dizendo que a sexualidade é pecado. O que eu gostaria de saber dele é o seguinte: onde ele encontra tal afirmação no Catecismo ou na tradição da Igreja?”.

 

De fato, acrescentou o teólogo, a Igreja sempre rejeitou essa visão como errônea.

 

“Ao contrastar essa falsa afirmação com sua segunda afirmação – que a sexualidade é sem restrições um dom de Deus, toda a área é removida da reflexão ética. De acordo com essa lógica, não há mais necessidade de esclarecer ou distinguir como a sexualidade é praticada. Não há mais distinção sobre qual comportamento sexual é interesse próprio ou expressa apropriação mútua”.

 

Brüske enfatizou que o ensinamento moral da Igreja havia ordenado a sexualidade para o amor conjugal de um homem e uma mulher. O Catecismo afirma: “A sexualidade, mediante a qual o homem e a mulher se dão um ao outro com os atos próprios e exclusivos dos esposos, não é algo de puramente biológico, mas diz respeito à pessoa humana como tal, no que ela tem de mais íntimo. Esta só se realiza de maneira verdadeiramente humana se for parte integrante do amor com o qual homem e mulher se comprometem totalmente um para com o outro até à morte”.

 

Brüske disse que ao abandonar o matrimônio sacramental como lugar exclusivo da sexualidade entre homem e mulher, a orientação para o Evangelho também seria abandonada e substituída por uma voltada para a cultura contemporânea.

 

“Os abismos da cultura contemporânea são completamente ignorados, em particular o que eu chamaria de sua atual sociologia do desejo, na qual as pessoas são frequentemente violadas na área de sua sexualidade”, disse ele.

 

O especialista em ética, que leciona na Suíça, disse que o cristianismo primitivo, em sua orientação para Jesus, oferecia um contraste radical em relação à cultura da época.

 

“Precisamente por isso, era atraente e ajudava as pessoas feridas a encontrar a cura”, disse ele.

 

Bätzing não parece ver isso, disse Brüske à CNA Deutsch. “Ele está obviamente cego tanto para as origens quanto para o nosso presente. Isso me deixa triste e perplexo. E também um pouco irritado. Porque essa ingenuidade na verdade não é permitida”, comentou.

 

Na entrevista à Bunte, Bätzing também se manifestou a favor da ordenação de mulheres e da abolição do celibato sacerdotal – posições recentemente endossadas por participantes do “Caminho Sinodal” alemão.

 

Brüske disse que, em vez de desempenhar o papel de moderador, “o presidente da conferência episcopal alemã se identifica sem reservas com as demandas por uma revisão total da moralidade sexual da Igreja, a abolição do celibato, a ordenação de mulheres”.

 

Ele acrescentou que, tendo em vista o controverso Caminho Sinodal, era altamente problemático para o presidente avançar nessa agenda.

 

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