#Ficar sentados. Comentário de Gianfranco Ravasi

Foto: Unsplash

Mais Lidos

  • “Discursos desse tipo ameaçam a democracia de forma evidente, são discursos que criam desconfiança nas instituições, em um país como o Brasil, onde a democracia não voltou há muito tempo”, afirma o pesquisador

    Polarização política brasileira e o extremismo disfarçado de encanto. Entrevista especial com Paolo Demuru

    LER MAIS
  • Lula em reunião do G-7: "Eu nunca fui de esquerda"

    LER MAIS
  • Pesquisadores refletem sobre possíveis riscos e efeitos do El Niño em 2026 à luz das enchentes de 2024 e das ações realizadas pelo poder público nos últimos dois anos

    El Niño no RS: probabilidade de cheias é dobrada, mas há incerteza sobre a magnitude do fenômeno climático. Algumas análises

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

25 Fevereiro 2021

"O ato de parar é o mais difícil e corajoso. Para agir com sabedoria ou viver uma experiência plenamente humana, devemos recuperar o domínio de nós mesmos", escreve Gianfranco Ravasi, prefeito do Pontifício Conselho para a Cultura, em comentário publicado por Giornale, 21-02-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o comentário.

Há momentos em que deveríamos simplesmente ficar sentados e não fazer nada. Para aquele que permitiu que sua atividade o levasse totalmente para o lado externo, nada é mais difícil do que sentar-se quieto e calado. O ato de parar é o mais difícil e corajoso. Para agir com sabedoria ou viver uma experiência plenamente humana, devemos recuperar o domínio de nós mesmos.

Ele foi um dos místicos mais lidos e ouvidos até mesmo pelos não crentes: Thomas Merton, nascido na França em 1915, se converteu e se tornou um monge trapista nos Estados Unidos e morreu em Bangkok em 1968, durante uma de suas transmigrações espirituais, ele ainda fala hoje, aliás, especialmente em nossos dias tão frenéticos e estressantes, através do texto que extraímos de uma de suas obras, Nenhum homem é uma ilha (1953). Propomos o texto neste domingo que se encontra no limiar de um tempo que no passado tinha um forte significado, a Quaresma. Agora é praticamente ignorado, mas, mesmo laicamente, poderia ser recuperado como um momento de reflexão.

Claro, sentar-se com o sombreiro abaixado sobre olhos sonolentos, à beira da estrada na inércia de uma tarde escaldante, como mostrava uma imagem publicitária do passado, não é a imagem a se sobrepor às palavras de Merton. O seu, de fato, não é um convite ao puro e simples desapego das angústias da vida moderna. Em vez disso, é "reentrar no homem interior", para usar uma expressão de Santo Agostinho, ou seja, é parar, ficar em silêncio e olhar para dentro da alma.

Leia mais