Desmatamento na Amazônia em 2020 pode superar o recorde alcançado em 2019

Desmatamento na amazônia brasileira continua em alta pelo segundo ano consecutivo. (Foto: 47º Batalhão Infantaria | Operação Verde Brasil 2)

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

11 Agosto 2020

Aumento já havia sido previsto pelo Ibama e ambientalistas. Os alertas atingiram a marca dos 9.205 km², 33% a mais do que no ano anterior.

A reportagem é Nicole Matos, publicada por Amazônia.org.br, 07-08-2020.

Nesta sexta-feira foi divulgado os dados oficiais do Deter, sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE) que indica que de agosto de 2019 até o dia 31 de julho de 2020. 9.205 km² de área da floresta foram desmatadas na Amazônia. No mesmo período dos anos anteriores, esse número tinha ficado em 6.844 km². Os dados apenas do mês de julho apresentaram 1.654 km² de desmatamento.

Esse resultado é apenas uma prévia, mas já significa que a taxa oficial de desmatamento deste ano será maior do que a do ano passado. O desmatamento ocorreu em todos os estados da Amazônia Legal, mas os piores índices foram no Pará, Rondônia e Mato Grosso. Entre os municípios da Amazônia Legal que mais desmataram nos últimos 12 meses estão Altamira (PA) com 717 km²; São Félix do Xingu (PA) com 513 Km²; Porto Velho (RO), com 403 Km² e Lábrea (AM), com 380 Km² de alertas no período.

“Essa temporada na Amazônia não será recuperada. Quem derruba floresta quer recuperar seu investimento, e isso passa pela queima da vegetação desmatada para limpar o terreno, o que vai acontecer mais cedo ou mais tarde, com ou sem moratória de fogo. Coibir as queimadas começa com controlar o desmatamento”, afirma a diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Ane Alencar.

Enquanto os desmatadores, grileiros e garimpeiros agem rápido, a fiscalização nas mãos dos militares da operação Brasil Verde 2 anda trôpega. Mesmo com o dispositivo da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em pleno vigor, a atuação do governo no combate ao desmatamento ilegal não surtiu o efeito prometido.

“Os números mostram, mais uma vez, a verdade que o governo trabalha para esconder. Combate ao desmatamento se faz com transparência, ciência, áreas protegidas, órgãos especializados eficientes e controle social. Tudo o que Bolsonaro odeia. A política de destruição promovida pelo governo empodera os que lucram com a floresta no chão e ameaça os que lutam para mantê-la em pé, arrastando o Brasil para o atraso. Ao ignorar a importância de conservar nossas riquezas naturais, o governo Bolsonaro impacta de forma negativa os brasileiros, a economia do país e o clima global”, afirma Mariana Mota, coordenadora de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil.

Nesta terça-feira (4), o Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, propôs que fosse desconsiderada a meta que tem como objetivo diminuir o desmatamento e os incêndios ilegais em 90% no Brasil, previsto no Plano Plurianual (PPA) do governo até 2023, a nova meta seria proteger apenas 390 mil hectares na floresta amazônica. No dia seguinte, Salles voltou atrás e abandonou a proposta.

O aumento descontrolado do desmatamento indicam fracasso do governo em conter o crime ambiental na floresta e já vem causando problemas comerciais ao Brasil. Empresas estrangeiras já deixam de comprar produtos agropecuários e investidores retiram recursos de companhias que compram produtos de áreas abertas irregularmente.

Os três maiores bancos privados do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santader, anunciaram um plano integrado com dez medidas prioritárias para a região amazônica, contribuindo com a conservação e desenvolvimento sustentável da floresta e cobrando medidas concretas para acabar com o desmatamento.

Esta semana, um grupo de 62 organizações não governamentais, entre elas a Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, elaborou uma lista de cinco medidas emergenciais para tentar conter o problema. Uma das medidas apresentadas é a Moratória do Desmatamento da Amazônia Legal por pelo menos cinco anos. Para o diretor da Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Mauro Armelin, “decretar uma moratória do desmatamento e continuar com a do uso do fogo seria o correto a fazer para tentar reorganizar as estruturas e os processos que diminuíram o desmatamento desde 2006 e o impediram que voltasse a crescer ao longo desses anos”.

Leia mais