Manifesto da esquerda francesa pede fim do “produtivismo” para construir mundo pós-pandemia

Foto: Divulgação/Fotos Públicas

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15 Mai 2020

O Manifesto é assinado por mais de 150 personalidades, entre ecologistas, políticos e intelectuais de esquerda, como o economista Thomas Piketty, o eurodeputado do Partido Verde (EELV), Yannick Jadot, ou o líder do Partido Socialista (PS), Olivier Faure.

O Manifesto foi publicado nesta quinta-feira (14) na imprensa francesa. Ele propõe a construção de um programa para a saída da crise provocada pela pandemia do coronavírus. Entre os assinantes, a ausência notável de políticos do partido de esquerda radical, França Insubmissa.

A reportagem é publicada por Rádio France Internacional - RFI, 14-05-2020.

O Manifesto foi publicado conjuntamente no jornal Libération e L'Humanité, nas revistas Politis, L'Obs e Regards, e no site de informação Mediapart. O manifesto propõe a organização de "uma convenção para um mundo comum" nos próximos meses. O texto diz que este período de "sofrimento inédito", não pode "confiscar a esperança de mudança".

Eles convidam todos os "cidadãos e cidadãs, formações políticas, associações, sindicatos e ONGs interessados em mudanças profundas a participar do grande evento. Vários temas que devem reunir a esquerda ecológica neste momento importante da "História" são enumerados. "É preciso deixar de lado o produtivismo. A transformação ecológica na França é o novo desafio da República no século 21", apontam os organizadores.

Normas ambientais e sociais exigentes

Para atingir este objetivo, "o apoio público à sobrevivência do sistema produtivo deve ser subordinado a normas ambientais e sociais exigentes", baseadas, inicialmente, no Acordo do Clima de Paris. O coletivo pede a criação de um "bônus clima" para acabar prioritariamente com "as casas mal isoladas, que consomem muita energia, e diminuir a precariedade energética dos mais pobres".

O manifesto "Iniciativa Comum" defende a solidariedade nacional que deve intervir para ajudar os inquilinos a pagar as contas de água e luz, fornecer alimentos, máscaras gratuitas e outros apoios excepcionais individuais necessários". "Defendemos uma sociedade que reconheça e saiba valorizar todos os trabalhadores, sem os quais ela não funcionaria nem durante a crise, nem depois dela", dizem os signatários. Para eles, o salário desses trabalhadores invisíveis, profissionais da saúde e professores, tem que ser valorizado.

Por fim, o abaixo-assinado reivindica uma transformação profunda das estruturas da União Europeia, com a alteração do pacto de estabilidade do bloco, que delimita o déficit orçamentário a 3% do PIB de cada país membro. As instituições francesas também têm que ser repensadas para que a saída dessa crise não dependa de um "salvador da pátria".

 

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