Papa emérito responde a críticas à sua reflexão sobre a crise dos abusos

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28 Agosto 2019

Respondendo a críticas sobre algumas notas que ele publicou sobre as raízes da crise dos abusos sexuais clericais, o Papa Bento XVI disse que o fato de as críticas mal mencionarem Deus provou seu ponto.

A reportagem é publicada por Catholic News Service, 27-08-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“Até onde posso ver, na maioria das reações à minha contribuição, Deus absolutamente não aparece”, e é “exatamente isso que eu quis enfatizar” como o problema central, escreveu ele em uma breve nota para a revista Herder Korrespondenz, de acordo com a KNA, a agência de notícias católica alemã.

Em abril, o papa emérito enviou uma compilação daquilo que ele descreveu como “algumas anotações” sobre a crise para a Klerusblatt, uma revista católica de língua alemã para o clero da Baviera.

Vendo a crise como algo enraizado no “egrégio evento” da revolução cultural e sexual no mundo ocidental nos anos 1960 e um colapso da crença na existência e da autoridade da verdade absoluta e de Deus, o papa emérito disse que a principal tarefa é reafirmar a alegre verdade da existência de Deus e da Igreja como quem conserva o verdadeiro depósito da fé.

A maioria das críticas, no entanto, concentrou-se no fato de o Papa Bento XVI parecer culpar a revolução cultural e sexual dos anos 1960, especialmente quando muitos casos de padres que abusavam sexualmente de crianças ocorreram antes daquela época, mesmo que o público tenha descoberto isso apenas recentemente.

Na nova nota, o Papa Bento XVI disse que “o déficit geral na recepção do meu texto” foi uma falta de disposição para se defrontar com a sua afirmação de que o abuso está relacionado com a falta de fé e de uma forte moral.

Ele usou como exemplo uma crítica na edição de julho da Herder Korrespondenz, escrita por historiadora Birgit Aschmann.

“Nas quatro páginas do artigo da Sra. Aschmann, a palavra ‘Deus’, que eu coloquei como ponto central da questão, não aparece”, escreveu.

 

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