Doze milhões de hectares perdidos devido à atividade humana. Em um ano foi destruída uma área de florestas tão grande quanto a Inglaterra

Foto: Rodrigo Baleia/Greepeace

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29 Abril 2019

Pelo menos 12 milhões de hectares de florestas tropicais foram perdidos em 2018: uma superfície quase equivalente à da Inglaterra. São os dados mais evidentes que emergem do relatório anual do Global Forest Watch, um grupo de trabalho sobre o desmatamento da Universidade de Maryland que, através de projeções de satélite, monitora o estado de saúde das florestas de todo o planeta.

A reportagem foi publicada por L'Osservatore Romano, 27/28-04-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

De acordo com dados do ano passado, a perda de florestas tropicais primárias - ou seja, locais onde não há traços de atividade humana – só foi menor que a de 2016, ano em que o pico de desmatamento foi determinado pelos incêndios que devastaram o Brasil e a Indonésia.

Atualmente, as causas são atribuíveis à atividade humana intensiva, como a produção de soja e biocombustíveis na América do Sul e a agricultura ou criação de gado na Ásia e na África. Entre os efeitos do declínio nas áreas verdes registra-se uma redução na absorção de gases de efeito estufa. De acordo com dados do World Resource Institute, sobre os quais o documento Global Forest Watch é baseado, as florestas absorvem cerca de 30% das emissões de gases causadores do efeito estufa produzidas pelo homem. Além disso, as florestas tropicais primárias têm maior capacidade de absorver o dióxido de carbono e, não por acaso, são os habitats insubstituíveis para muitas formas de vida.

A região amazônica abrange nove nações, que abrigam 35 milhões de pessoas e mais de 2,8 milhões de indígenas pertencentes a 390 populações distintas. Estas são as mais ameaçadas pelo desmatamento.

O portal "Arco Minero del Orinoco" relata que, entre 2001 e 2014, o estado venezuelano de Bolívar sofreu um desmatamento de mais de mil quilômetros quadrados, equivalente a 141 mil campos de futebol, para a extração de ouro, diamantes e coltan.

Ontem, o site on-line da revista “Science” publicou uma carta assinada por 600 cientistas europeus que solicitam à UE negociações comerciais com países latino-americanos baseadas em princípios de sustentabilidade e respeito pelas áreas florestais. 

O tema da defesa dos territórios remete aos milhares de indígenas brasileiros que também se manifestaram na capital para expressar seu desacordo com a decisão do presidente Jair Bolsonaro de retirar da Fundação Nacional do Índio a competência para reconhecer e delimitar os territórios indígenas, atribuindo-a ao Ministério da Agricultura. Segundo os críticos, a nova agência poderá conceder licenças ambientais sobre as terras indígenas a empresas interessadas em expandir a mineração e a agricultura industrial em áreas até agora protegidas, como aconteceu na Venezuela.

 

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