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28 Setembro 2018

Uma apresentação do livro é publicada pelo autor e publicada por Avvenire, 25-09-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o texto.

O urbano é intrinsecamente moderno e a modernidade se exibe nos espaços da grande cidade.

Mobilidade, fluxos e aceleração são elementos essencialmente urbanos e modernos. É inevitável que as vanguardas e o progresso, as modas e as novas tendências surjam da vivência urbana, sejam irradiadas por ela e com ela de alguma forma coincidam ... O urbano é primeiramente uma construção prático-reflexiva e uma configuração simbólico-cultural, por estas razões é intrinsecamente ligado com a capacidade de projetar e imaginar. O cenário da modernidade urbanizada é surpreendentemente vivo e cheio de gente. Planejamento e projetos são processos sociais e políticos porque enxergam na cidade o lugar onde a imaginação sai à rua, onde a imaginação é literalmente "iniciada".

Vincenzo Rosito, "Dio delle città. Cristianesimo e vita urbana"
(Deus das cidades. Cristianismo e vida urbana,
EDB - Edizioni Dehoniane Bologna, p.160, euro 14.00)

Utopia e administração são os fogos da parábola social que de alguma forma coincide com a história da urbanização no Ocidente, são os elementos que definem os contornos e enchem as artérias do cenário urbana, cenário em que os sonhos e as lutas se perseguem em um jogo sem fim. O urbano sempre se reporta ao processo que o gerou, ao design inspirador que desenha e modifica incessantemente as cidades em que vivemos. O urbano é uma “questão” extremamente importante não só para os indivíduos que vivem nela, mas, sobretudo, para os poderes que de mil maneiras o condicionam.

É por isso que a esfera das competências do urbano inevitavelmente intercepta aquela dos desejos individuais e coletivos. A questão de que tipo de cidade queremos não pode ser separada de outras questões: que tipo de pessoas queremos ser, que relações sociais procuramos, que relações queremos cultivar com a natureza, qual estilo de vida queremos, que valores estéticos buscamos. O direito à cidade é, portanto, muito mais do que o direito de acesso, individual ou de grupo, aos recursos que a cidade encarna: é o direito de mudar e reinventar a cidade para que se conforme mais com as nossas exigências. Além disso, é um direito mais coletivo do que individual, já que reinventar a cidade depende inevitavelmente do exercício de um poder coletivo sobre os processos de urbanização.

O urbano contemporâneo pode ser plenamente compreendido e oportunamente criticado na medida em que é observado assumindo uma perspectiva processual, imaginativa e agônica. Para expressar melhor tudo isso, recorrer-se-á principalmente à ideia de "urbanização". A chamada "forma urbana" realmente não desapareceu, mas ficou notavelmente diversificada, fazendo emergir dinâmicas processuais que modificam incessantemente os critérios pelos quais imaginamos e julgamos uma cidade.

Fragmentação e segregação de grupos sociais, diversificação e divergência de estilos de vida, de fato, contribuem a desenhar um quadro urbano altamente mutável e desigual. Muitas disciplinas científicas voltaram recentemente a tratar das cidades e da urbanização global. Esse interesse é motivado principalmente pelas transformações paradoxais que afetam as formas e os âmbitos da vida associada. Por trás da crescente e generalizada homogeneização das linguagens, além da universalização das modas e dos mercados, a desigualdade das condições de vida progride de maneira evidente e preocupante.

O urbano é um teatro particularmente exposto às turbulências diversificantes que imprimem sulcos de disparidade no campo da sociabilidade global ... Várias vezes nas últimas décadas as Igrejas cristãs também se questionaram sobre o papel que pretendem desempenhar nas grandes cidades. Percebe-se a exigência de apresentar uma nova pastoral urbana que assuma e gerencie adequadamente os processos de transformação territorial e social. Esse interesse não se esgota no debate teológico sobre o futuro da paróquia como realidade pastoral primária. Sabemos que, especialmente na tradição católica, a relação entre a cidade e a paróquia é uma referência fundamental para a vida das comunidades cristãs. A urbanização não impõe hoje as Igrejas de preservar ou superar a instituição paroquial. Se assim fosse, a relação entre o cristianismo e vida urbana correria o risco de se restringir à gestão de realidades territorial ou administrativas individuais.

Bem mais atraente é o cenário que se desdobra para as Igrejas e comunidades religiosas, bem mais apaixonantes são os processos que as envolvem diretamente na gestão, por exemplo, das crescentes desigualdades urbanas. A cidade contemporânea não é uma simples imagem metafórica, não é o lugar onde as Igrejas descem ou saem para prestar serviços e distribuir advertências. Os cristãos têm hoje na cidade o principal local de seu "estar" no mundo, aliás, de seu "estar-com" no mundo. A urbanização não é um processo que começa no limiar ou nas margens das igrejas, mas que flui em todos os âmbitos da vida cristã. Uma pastoral urbana confiável e incisiva não oferece simplesmente serviços, mas aflora junto com as práticas cotidianas de comunidades que atravessam todos os espaços da grande cidade. Perfila-se, portanto, uma atitude que não se esgota na "itinerância" ou na "saída". Da mesma forma que o “estar no mundo” é para os cristãos um ato constitutivo, assim o “'estar na cidade" é um enraizamento convincente no terreno da proximidade com Deus e com os homens.

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