James Martin denuncia o "oceano de ódio" que tenta impedi-lo de participar do Encontro Mundial das Famílias, em Dublin

Foto: Mathias Wasik/Flickr

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

15 Agosto 2018

O padre James Martin denunciou o "oceano de ódio e ameaças" que tem recebido depois que se recolheram mais de dez mil assinaturas pedindo que se cancele sua participação no Encontro Mundial das Famílias, de Dublin. O jesuíta afirmou, no entanto, que não se deixará intimidar pela pressão, afirmando que "estes manifestantes não só estão do lado errado da história, como estão do lado errado do Evangelho".

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Religión Digital,14-08-2018. A tradução é de Graziela Wolfart.

"Que tipo de jesuíta seria eu se deixar que o ódio me impeça de amar?", perguntou Martin, em comentários recolhidos por Catholic Herald, depois que a petição organizada pelo movimento irlandês Tradição, Família e Prosperidade lhe acusou de "apoiar a transexualidade das crianças" e "defender que os homossexuais se beijem durante a missa".

"Padre Martin também está em desacordo com a qualificação do Catecismo da Igreja Católica que aponta a inclinação homossexual como 'gravemente desordenada'", continua a reclamação de seus críticos, que também lhe culpam por impedir que os homossexuais "cheguem a uma verdadeira compreensão de sua condição à luz do ensinamento da Igreja e da misericórdia de Deus", o qual qualifica como um "grande dano". "Cremos que o erro e a confusão que [ele] semeia não deveriam ter espaço no Encontro Mundial das Famílias", sentenciam os censores, pelo que pedem "encarecidamente" que os organizadores do Encontro retirem seu convite para falar.

O pedido de silenciar padre Martin não surtiu, até o momento, nenhum efeito, e os organizadores do evento assinalam que não está prevista nenhuma mudança no programa das intervenções. As críticas tão pouco incomodaram o jesuíta, que minimizou a homofobia deste percentual "muito pequeno" de católicos.

"Tenho o apoio de meus superiores jesuítas, vários cardeais, arcebispos e bispos, e também da maioria dos fiéis, muitos dos quais têm pessoas LGBT em suas famílias", salientou o padre.

Apesar das pressões que constantemente recebe, o jesuíta continua sendo um ferrenho defensor da dignidade dos católicos LGBTI. No encontro de Dublin, aproveitará seu recente livro "Construindo uma ponte" - respaldado pelos cardeais Joseph Tobin e Kevin Farrell - para dar uma palestra sobre como promover uma melhor acolhida na Igreja aos fiéis de outras orientações afetivas.

Leia mais