O papa emérito contra o papa reinante? “Apenas fantasias”

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19 Julho 2017

“Estão tentando instrumentalizar o papa emérito em chave anti-Francisco.” Dom Georg Gänswein, prefeito da Casa Pontifícia e secretário particular de Bento XVI não tem nenhuma dúvida: alguns estão tentando, mais uma vez, colocar em contraposição a figura de Joseph Ratzinger e a de Jorge Bergoglio.

A reportagem é de Fabio Marchese Ragona, publicada no jornal Il Giornale, 18-07-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Desta vez, a polêmica irrompeu depois de uma mensagem do papa emérito proferida há poucos dias, por ocasião da morte do cardeal Joachim Meisner, ex-arcebispo de Colônia e um dos quatro cardeais que apresentaram ao Papa Francisco as famosas dubia” sobre a exortação apostólica Amoris laetitia.

O texto de Bento XVI, no qual se recordava a figura do cardeal, foi lido no sábado passado, durante o funeral, por Dom Gänswein, que, nessa terça-feira, reconstruiu o fato ao Il Giornale: “O papa emérito conhecia Meisner há várias décadas. Quando o cardeal Woelki pediu que Bento XVI dirigisse algumas palavras em honra ao cardeal falecido, o papa emérito disse que o faria de bom grado e me pediu para ler a mensagem”.

O que acendeu a discussão, com algumas provocações a Francisco, porém, foi uma das passagens do texto, em que Bento XVI escreve: “O que mais me comoveu é que o cardeal Meisner viveu, neste último período da sua vida, sempre mais a certeza profunda de que o Senhor não abandona a sua Igreja, embora às vezes a barca tenha se enchido até quase virar”.

Uma imagem dramática de uma Igreja em dificuldades, a ponto de muitos terem lido nessas palavras uma crítica ao pontificado do Papa Francisco, uma mensagem nem um pouco enigmática contra Bergoglio.

“Bobagens”, comenta Dom Georg Gänswein. “O papa emérito foi deliberadamente instrumentalizado. Com aquela frase, ele não aludia a nada de específico. Ele falava da situação da Igreja de hoje como do passado, como uma barca que não navega em águas tranquilas. Francisco também diz isso.”

Quem comentou as palavras de Bento XVI, há alguns dias, foram dois estudiosos: os historiadores Alberto Melloni e Massimo Faggioli. O primeiro, em um tuíte, com um toque de ironia, postou: “Existe um proto-Ratzinger, um deutero-Ratzinger e agora também um pseudo-Ratzinger que alude negativamente ao papa reinante”.

Com ele, o historiador do cristianismo Faggioli, arriscou: “Seria bom saber quem escreveu a mensagem de Joseph Ratzinger ao funeral do cardeal Meisner”.

Entre ironias e ataques ao Papa Francisco por parte de alguns sites tradicionalistas, quem pôs fim à polêmica foi o mais próximo colaborador de Bento XVI, o padre Georg, que conclui: “O papa emérito escreveu a mensagem sozinho, da primeira à última letra de próprio punho, sem que ninguém o tenha ajudado. Querem instrumentalizá-lo. Mas tudo isso não vai servir para nada”.

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