Colômbia. As Farc fazem sua última marcha

Foto: @FARC_Occidente

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Por: João Flores da Cunha | 02 Fevereiro 2017

Milhares de combatentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – FARC iniciaram nesta semana o processo de desmobilização final da guerrilha. Os soldados estão se dirigindo a 26 zonas temporárias de concentração, próximas a montanhas e selvas, onde irá ocorrer a entrega das armas prevista no acordo de paz entre o governo do país e as Farc.

A data prevista para a conclusão dos deslocamentos (31-01) não foi cumprida, mas o governo colombiano mantém a expectativa de que isso ocorra até o final desta semana. A desmobilização das Farc é um momento-chave do processo de paz da Colômbia, que busca encerrar um conflito iniciado na década de 1960. O Alto Comissário para a Paz do governo, Sergio Jaramillo, declarou que “ver as Farc concentradas nas zonas temporárias é um símbolo de que a guerra acabou”.

A entrega das armas será seguida pela Organização das Nações Unidas – ONU, que é responsável pelo acompanhamento do processo de paz. A ONU também realiza o monitoramento do cessar-fogo bilateral, que foi acordado pelas partes em junho de 2016 e entrou em vigor em agosto.

A primeira versão do acordo de paz com a guerrilha foi rejeitada pela população colombiana em um plebiscito no início de outubro. O governo e as Farc voltaram à mesa de negociação e chegaram um novo acordo, assinado em novembro, que foi ratificado no fim de dezembro pelo Congresso do país.

O processo de desmobilização, porém, não está ocorrendo sem dificuldades. Há problemas nas zonas de concentração: as estruturas que deveriam ser preparadas para abrigar os soldados das Farc ainda não estão finalizadas. Um relatório da Fundação Paz e Reconciliação divulgado no dia 30-01 responsabilizou o governo nacional pelos atrasos.

As Farc fizeram críticas ao governo por conta das condições em que se encontravam as zonas temporárias. “Apesar das dificuldades e dos descumprimentos por parte do governo, as Farc cumprem com os acordos de paz”, afirmou a guerrilha em sua conta oficial no Twitter.

As dificuldades no processo de desmobilização da guerrilha são apenas parte do desafio que a Colômbia irá enfrentar a partir de agora: por um lado, há a necessidade de reincorporar ao controle do Estado áreas significativas do território do país que eram dominadas pelas Farc – mesmo enfraquecida, a guerrilha ainda operava em 242 municípios. Por outro lado, há milhares de soldados deixando as suas armas e ingressando na sociedade civil, e as Farc seguirão tendo atuação política – agora, a partir de um partido, e não mais com as armas.

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