Cunha é primeiro peixe grande que a Lava Jato prende fora do PT

Foto: Wilson Dias | Agência Brasil

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

20 Outubro 2016

A prisão do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) nesta quarta-feira (19), autorizada pelo juiz federal Sergio Moro, pode ficar marcada como a primeira grande ação da Operação Lava Jato que não envolveu o PT.

A reportagem é de Maria Júlia Marques e publicada por Uol, 19-10-2016.

"Não sabemos se Moro quis mostrar que também afetaria outros partidos depois do PT ter sido alvo principal de prisões da operação. Mas foi uma grande prisão e mostra que vão buscar 'peixes grandes' de outros partidos", afirma David Fleischer, cientista político e professor da UNB (Universidade de Brasília).

O professor afirma que aconteceram outras investigações importantes sem vínculo com o PT, como a recente denúncia de lavagem de dinheiro envolvendo o ministro do Esporte, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), mas que a de Cunha é representativa.

"Pode ser um aviso ao PMDB, de que já existem outros políticos na mira de Sergio Moro. Cunha era o mais poderoso do partido, depois de Michel Temer. Antes da cassação era muito valioso e não escapou", diz Fleischer.

Segundo ele, o impacto das operações foi sentida pelo PT nas urnas: "É bom lembrar que o PT foi majoritariamente afetado pela Operação Lava Jato e pagou por isso nas urnas."

Para o cientista político, o juiz Moro teve uma "boa sacada" para não levantar suspeitas sobre a data da prisão de Cunha. "Na terça-feira (18) foi divulgado que Moro marcou o interrogatório de Cláudia Cruz, mulher de Cunha, e nada sobre prisão foi mencionado", explica. "O ex-deputado deve ter voltado os esforços para auxiliar a mulher sem nem cogitar a prisão. O juiz conseguiu disfarçar muito bem".

Muitos políticos devem ficar nervosos até que os próximos passos do ex-deputado sejam divulgados e até que seja decidido de fato se ele irá ou não fazer delação premiada. Mas o presidente Michel Temer não deve ser um deles.

"Temer sempre foi muito cauteloso em sua relação com Cunha, sempre teve muito cuidado. Acredito que a distância entre eles após a cassação do ex-deputado garantiu que a imagem do presidente não seja vinculada com a prisão de Cunha."