"Amoris lætitia". Misericórdia para todos, menos para os filhos obedientes

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11 Abril 2016

É uma inundação de misericórdia. Mas é também um triunfo da casuística, embora tão execrada em palavras. Com a sensação, no final da leitura, que todo pecado é escusado, tantas são as suas atenuantes, e portanto esvanece, deixando espaço a pradarias de graça também no quadro de “irregularidade” objetivamente grave. O acesso à eucaristia vai por si, sequer é necessário que o Papa o proclame dos telhados. Basta um par de alusivas notas ao pé da página.

O comentário é de Sandro Magister, jornalista italiano, em artigo postado no seu blog Settimo Cielo, 08-04-2016, referindo-se à Exortação Apostólica 'Amoris Laetitia'. A tradução é de Benno Dischinger.

E aqueles que até aqui obedeceram à Igreja e se reconheceram na sabedoria do seu magistério? Aqueles divorciados recasados que com tanta boa vontade, por anos ou por décadas, rezaram, frequentando a missa, educando cristãmente os filhos, fazendo obras de caridade, embora numa segunda união diversa da sacramental, sem tomar a comunhão? E aqueles que, além disso, aceitaram viver “como irmão e irmã, não mais em contradição com o precedente matrimônio indissolúvel, e puderam assim aceder à eucaristia? O que há com todos estes, após o “livres todos” que tantos leram na “Amoris laetitia”?

Há uma nota a pé de página – outra, não as duas citadíssimas que fazem cintilar a comunhão para os divorciados recasados – que reserva àqueles entre eles que cumpriram a escolha de conviver “como irmão e irmã” não uma palavra de conforto e sim uma bofetada. “Se lhes diz de fato que fazendo assim podem causar dano à sua nova família, já que, “se faltam algumas expressões de intimidade, ‘não é raro que a fidelidade seja posta em perigo e possa ser comprometido o bem dos filhos”. O subentendido é que fazem melhor os outros ao conduzir uma vida plena de cônjuges também em segundas núpcias civis, quem sabe tomando também a comunhão. Ler para crer. É a nota número 329, que impropriamente cita a favor de sua admoestação nada menos do que a constituição conciliar “Gaudium et spes”, no n. 51.

Mas isto é um detalhe. Lida no seu todo, a “Amoris laetitia” pode dar azo a juízos complexivamente positivos, também da parte de analistas que não têm calado as suas críticas a algumas impaciências dos dois sínodos sobre a família. Um destes é Juan José Pérez-Soba, sacerdote da diocese de Madri e professor de pastoral no Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família, junto a Pontifícia Universidade do Latrão.

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