Quase todos os presidenciáveis ignoram urgência da crise climática e ambiental

Foto: Fachy Marín/ Unsplash

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11 Setembro 2026

Os programas de governo dos principais candidatos à Presidência da República nas eleições de outubro são um verdadeiro deserto de propostas para o meio ambiente e a mudança do clima. Um levantamento do Observatório do Clima (OC) mostra que, entre os seis candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto, apenas o presidente Lula (PT) se destaca por apresentar propostas estruturadas e robustas nessas áreas.

A informação é publicada por ClimaInfo, 10-09-2026.

O OC analisou os programas de governo submetidos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelas campanhas de Lula, Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (União Brasil) e Romeu Zema (Novo). Além dos programas, a organização também considerou a atuação política prévia dos candidatos.

A análise contemplou 28 itens da agenda socioambiental e foi estruturada em oito grandes eixos: mudanças climáticas; energia; desmatamento; proteção de Povos e Comunidades Tradicionais; agronegócio sustentável, mineração e infraestrutura; governança ambiental e climática; e oceano e zona costeira.

Lula se destaca com 16 propostas para o meio ambiente e o clima consideradas positivas — o maior número entre os presidenciáveis avaliados. Já Flávio Bolsonaro, que desponta como principal adversário do atual presidente na corrida pelo Palácio do Planalto, apresenta apenas um compromisso positivo. Para piorar, o candidato do PL também se comprometeu com sete propostas claramente antiambientais.

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Sobre o clima, apenas Lula cita o cumprimento da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil sob o Acordo de Paris. A adaptação climática também tem destaque no programa de governo do candidato do PT, detalhando ações e prazos, além de compromissos com o fortalecimento da fiscalização ambiental e da agricultura sustentável.

Por outro lado, o filho do ex-presidente (e atual presidiário) Jair Bolsonaro sequer reconhece a existência da crise do clima, em linha com o negacionismo climático de toda a família. Esse posicionamento foi reforçado recentemente, quando Flávio Bolsonaro minimizou o problema das mudanças climáticas e reduziu a adaptação climática a “saneamento básico” em entrevista ao Jornal Nacional (TV Globo).

Entre os demais candidatos, os resultados vão do muito pouco ao nada. O programa de Cury, que disparou nas pesquisas em agosto, mas vem caindo nas mais recentes, até reconhece a questão climática, mas não cita nada sobre NDC, Acordo de Paris, Plano Clima ou coisa do tipo. Já Renan é uma seca de ideias sobre a crise climática. Por ignorar o problema, o representante do MBL na corrida presidencial não menciona nenhuma ação nessa área.

O programa de Caiado também reconhece que as mudanças climáticas causam eventos extremos e propõe medidas de adaptação e prevenção, mas, assim como Cury, não menciona o Acordo de Paris nem os compromissos climáticos do Brasil. E Zema também não foge muito disso: reconhece o problema dos eventos climáticos extremos, mas não informa nada sobre ações de monitoramento e de resposta a desastres.

“Desde a última eleição, a agenda climática ficou mais evidente no país, principalmente depois das cheias no Rio Grande do Sul e da seca na Amazônia. Eventos como esses, que afetaram a vida de milhares de brasileiros, infelizmente tendem a se repetir. Assim, é lamentável ver como alguns candidatos simplesmente ignoram o assunto em seus programas de governo ou, pior, chegam até mesmo a negar a existência das mudanças climáticas”, afirmou o secretário executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini.

BNC Amazonas, Correio Braziliense, ((o)) eco, O Globo e Página22, entre outros, repercutiram o levantamento do OC sobre os presidenciáveis.

Em tempo

Com base nos resultados oficiais das eleições presidenciais de 2010 a 2022 e em informações sobre o posicionamento dos congressistas em relação às mudanças climáticas, segundo o Observatório do Legislativo Brasileiro (OBL), o InfoAmazonia criou um índice de posicionamento partidário em relação ao clima e aplicou-o aos resultados das eleições presidenciais de cada município da Amazônia Legal. Infelizmente, os dados mostram que eleitores da região têm votado cada vez mais em candidatos de partidos contrários à agenda climática. Há outra associação importante: a cada R$ 1 bilhão a mais no valor da produção agrícola, a nota de alinhamento do eleitorado à pauta ambiental cai, em média, 0,19 ponto. A análise é a primeira da série “Eleições em mapas”, com seis episódios, que o InfoAmazonia publicará nas próximas semanas.

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