China e Canadá enfrentam Trump: "Se eles atacarem vocês, é como se estivessem em guerra"

Foto: Wikimedia Commons

Mais Lidos

  • Apesar da proibição, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X pretende continuar sua peregrinação a Lourdes

    LER MAIS
  • Deportado sem aviso prévio para a Guiné Equatorial com uma grande hérnia ventral: “Ninguém assume a responsabilidade por mim”

    LER MAIS
  • Flávio Bolsonaro abandona promessa de transparência sobre Dark Horse e diz que caso é ‘privado’

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

27 Agosto 2026

Tanto Pequim quanto Toronto responderam aos novos ataques de Washington: sanções contra empresas que negociam com o Irã e novas tarifas sobre as importações canadenses.

A reportagem é de Yago Álvarez Barba, publicada por El Salto, 26-08-2026.

O caminho diplomático entre os Estados Unidos e o Irã ainda não está esgotado, mas a Casa Branca intensificou seu boicote econômico e financeiro ao seu oponente com o que denominou "Dia D Econômico", impondo medidas e sanções que não visam mais apenas Teerã. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou que "qualquer relação econômica com o Irã exporá os responsáveis a toda a força do poder americano". Mas essa ameaça é direcionada diretamente ao outro grande ator global que, de sua posição de disputa pela hegemonia, não se intimida com o ataque de Donald Trump: o governo chinês.

As empresas petrolíferas chinesas continuaram a comprar petróleo bruto do Irã durante todo o conflito e sempre que a situação no Estreito de Ormuz permitiu, inclusive utilizando métodos comerciais que contornam as sanções econômicas já impostas pelos Estados Unidos. De fato, 90% do petróleo bruto exportado pelo Irã acaba na China. Mas o novo bloqueio financeiro proposto por Bessent pode atingir diretamente empresas chinesas sediadas em Hong Kong e na China continental, e Pequim não está disposta a tolerar uma guerra entre Trump e Netanyahu que afete os interesses econômicos de suas multinacionais do setor energético.

"A China tomará todas as medidas necessárias para salvaguardar firmemente seus direitos e interesses", declarou Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, na terça-feira, em resposta ao anúncio de novas sanções americanas destinadas a estrangular o Irã, que podem afetar empresas chinesas. "A cooperação entre a China e o Irã sempre se desenvolveu dentro da estrutura do direito internacional e não deve ser prejudicada ou interrompida", continuou o oficial chinês, demonstrando a firme posição de Xi Jinping contra as medidas de Trump.

A resposta firme de Xi Jinping poderia diminuir ainda mais os efeitos dos ataques e sanções de Trump contra o Irã e colocar o presidente republicano em uma posição difícil.

🔍 Adicione o Instituto Humanitas Unisinos – IHU às suas fontes favoritas do Google

A resposta de Pequim pode ser decisiva. Até agora, Xi Jinping manteve-se à margem da guerra econômica e militar, apesar de tentar mediar o conflito ao lado de outros países e de repetidamente apelar para canais diplomáticos. Mas Trump, pressionado por uma opinião pública que considera cada vez mais absurda a guerra no Irã e com as eleições de meio de mandato se aproximando, lançou mais uma vez essa aposta financeira contra o Irã, impactando diretamente os interesses do Partido Comunista Chinês e de suas principais empresas de energia. A firme resposta de Xi Jinping pode diminuir ainda mais os efeitos dos ataques e sanções de Trump contra o Irã e colocar o presidente republicano em uma posição difícil.

O Canadá reage com veemência às tarifas de Trump

A inflação permanece teimosamente alta e os títulos do Tesouro dos EUA estão em seus níveis mais altos em décadas. As projeções de déficit sugerem que eles podem se aproximar de 5% este ano, e a receita das primeiras rodadas de tarifas, agora anuladas pela Suprema Corte, teve que ser devolvida às empresas que as pagaram. Em meio a esse caos econômico, que inclusive levou à intervenção para defender a economia japonesa contra os temores de que Tóquio vendesse títulos americanos em massa para sustentar sua moeda, Trump decidiu relançar sua guerra tarifária, anunciando novas tarifas sobre importações de produtos tão variados quanto aço, laticínios, madeira, amplamente utilizada no setor da construção civil nos EUA, e até patins e tacos de hóquei.

Essas tarifas se somam às já impostas em ataques comerciais anteriores da Casa Branca contra seus vizinhos do norte. A nova rodada de tarifas sobre as importações canadenses, que chega a 50% e se soma aos 10% já estabelecidos, entraria em vigor em 1º de janeiro de 2027. Em outras palavras, as ameaças de Trump chegam com quase cinco meses de antecedência, depois das eleições de meio de mandato, deixando bastante tempo para que a situação seja resolvida de outra forma.

Mas o Canadá cansou-se de suportar os abusos do seu vizinho e, mais uma vez, resistiu às ameaças de Trump: "Se eles atacarem vocês, é como se estivessem em guerra", declarou Mark Carney após tomar conhecimento do novo pacote tarifário imposto pela Casa Branca. Na sequência das fortes declarações do canadense, ele afirmou que retaliariam "dólar por dólar", nas palavras do Ministro das Finanças canadense, François-Philippe Champagne. Em outras palavras, as tarifas impostas como contra-ataque seriam economicamente equivalentes às que os produtos canadenses seriam obrigados a pagar nos Estados Unidos.

O Canadá agendou sua resposta tarifária contra os Estados Unidos para 8 de setembro, quatro meses antes da data que Trump está ameaçando impor suas tarifas.

Após as declarações, seguem-se as ações. O Canadá não perdeu tempo e anunciou um pacote tarifário no valor de 27,6 bilhões de dólares canadenses, aproximadamente 17 bilhões de euros, visando principalmente as indústrias de eletrônicos e máquinas, bem como uma gama diversificada de outros setores. Essas medidas, de certa forma, espelham as tomadas por Trump, como as tarifas sobre mel, laticínios e outros produtos têxteis e cosméticos, para citar alguns exemplos. Além do impacto financeiro, o anúncio de Carney é notável pelo momento: o Canadá agendou sua resposta tarifária contra os Estados Unidos para 8 de setembro, quatro meses antes da data em que Trump ameaçou impor suas tarifas.

Além disso, ao contrário de Trump, que está abandonando os produtores canadenses aos caprichos do livre mercado e às suas próprias tarifas, o governo canadense anunciou um pacote de estímulo econômico para os setores afetados no valor de 7,5 bilhões de dólares canadenses, pouco mais de 4,5 bilhões de euros. "Não ficaremos de braços cruzados e faremos o que for necessário para proteger nossa economia", afirmou enfaticamente Dominic LeBlanc, Ministro do Comércio, após anunciar o pacote de ajuda para empresas e trabalhadores canadenses.

A resposta da China às ameaças contra empresas que negociam com o Irã e a declaração de guerra comercial do Canadá pintam um quadro de um novo começo para Trump, no qual sua arrogância está tendo cada vez menos efeito.

A arrogância de Donald Trump enfrenta crescente oposição global. Mesmo países que sempre permaneceram à sombra da Casa Branca agora buscam alternativas ao confrontarem seu aliado de longa data, como é o caso do Canadá. Enquanto isso, o déficit, a inflação e o custo da dívida americana continuam a pintar um quadro de uma situação econômica extremamente precária para os Estados Unidos, que certamente afetará Trump nas próximas eleições de meio de mandato. A resposta da China às ameaças contra empresas que negociam com o Irã e a declaração de guerra comercial do Canadá sugerem que a arrogância de Trump está tendo cada vez menos efeito no início do novo mandato, e suas estratégias de "TACO" (Acordo de Cooperação Econômica) estão sendo cada vez mais expostas.

Leia mais