Na sequência das ofensas de Milei a Lula, parlamentares da oposição argentina viajam ao Brasil para tentar reparar as relações bilaterais

Lula e Javier Milei | Foto: Ricardo Stuckert/Flickr

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27 Agosto 2026

Deputados e senadores de diversos partidos políticos anunciam visita a Brasília na próxima quarta-feira.

A reportagem é de Javier Lorca, publicada por El País, 27-08-2026.

Uma delegação de parlamentares da oposição ao governo de extrema-direita da Argentina viajará ao Brasil na próxima semana. O objetivo da visita é tentar melhorar as relações bilaterais em meio ao conflito diplomático provocado pelas ofensas do presidente Javier Milei ao seu homólogo, Luiz Inácio Lula da Silva. Composta por deputados e senadores de diversos partidos políticos, a delegação tem encontros marcados para a próxima quarta-feira com representantes da Comissão de Relações Exteriores do Senado, do Ministério das Relações Exteriores e da Presidência da República.

“Vamos viajar a Brasília para realizar encontros no âmbito da diplomacia parlamentar”, anunciou na quarta-feira o deputado Nicolás Massot. O parlamentar, membro do bloco centrista Encontro Federal, alertou o governo Milei que “nenhum mandato eleitoral, por mais forte que seja, permite ao Poder Executivo ignorar 40 anos de relações bilaterais estratégicas”.

As relações diplomáticas entre Argentina e Brasil encontram-se no seu ponto mais baixo, pelo menos desde a restauração da democracia em meados da década de 1980. Há um mês, Milei participou do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro em São Paulo, onde enfrentará Lula nas eleições presidenciais de outubro. Lá, chamou o presidente brasileiro de "ladrão" e "presidiário", além de incluí-lo na "escória socialista". Também agrediu verbalmente um juiz da Suprema Corte do país. Em resposta aos insultos, o Brasil retirou seu embaixador de Buenos Aires e rebaixou a relação bilateral ao nível de "encarregado de negócios". O embaixador argentino em Brasília também foi retirado e ainda não reassumiu suas funções.

Ao anunciar sua viagem à capital brasileira durante uma sessão da Câmara dos Deputados, Massot descreveu o rompimento das relações diplomáticas oficiais por Milei com o "principal parceiro comercial e geopolítico" da Argentina como "irresponsável e ingrato". Além de destacar os inúmeros laços entre os dois países, ele enfatizou a importância do Mercosul e do apoio do Brasil à reivindicação argentina de soberania sobre as Ilhas Malvinas, entre outros pontos.

Embora a composição da delegação que visitará Brasília ainda não esteja confirmada, estima-se que inclua parlamentares da União Cívica Radical, do Partido Socialista, da Coalizão Cívica, do Partido Peronista (PJ) e de outras forças políticas. Segundo os organizadores, aproximadamente 60% dos partidos com cadeiras no parlamento estarão representados. Massot assegurou que a iniciativa será “institucional”. “Não buscamos nenhuma intervenção partidária”, afirmou. Ao mesmo tempo, a delegação pretende enviar uma mensagem clara: os ataques de Milei são de sua própria autoria e não contam com o apoio da maioria do espectro político argentino.

Forças de oposição que buscam restabelecer as relações entre as duas maiores economias da América do Sul apoiaram uma proposta de declaração na Câmara dos Deputados na quarta-feira. A declaração condenava os ataques do presidente Lula e "reafirmava a natureza estratégica das relações bilaterais entre Argentina e Brasil". A moção, que também pedia que o ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, comparecesse perante o Congresso para explicar suas declarações, obteve 128 votos a favor, 108 contra e 9 abstenções. Como não constava da pauta do dia e exigia maioria de dois terços, sua apreciação foi bloqueada pelo partido de extrema-direita de Milei e seus aliados, apesar de ter a maioria dos votos.

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