Relatório global confirma recordes de calor, gases e elevação dos oceanos em 2025

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13 Agosto 2026

Relatório global confirma recordes de calor, gases e elevação dos oceanos em 2025.

A reportagem é publicada por EcoDebate, 13-08-2026.

Documento da Sociedade Meteorológica Americana, com dados de 60 países, revela que indicadores vitais da Terra atingiram marcas históricas, ecoando um pedido de atenção para o futuro.

O novo relatório Estado do Clima 2025 mostra concentrações inéditas de gases de efeito estufa, calor oceânico sem precedentes e o degelo acelerado do Ártico e da Antártida. Cientistas comparam o documento a um check-up de saúde do planeta, cujos resultados acendem um sinal de alerta para governos e comunidades.

O check-up da Terra em 2025 não foi nada bom

Imagine fazer um exame médico anual e descobrir que todos os seus indicadores vitais, como pressão e colesterol, não apenas estão ruins, mas pioraram significativamente em relação ao último check-up.

É com essa analogia que os cientistas apresentam o mais completo diagnóstico de saúde do nosso planeta. A 36ª edição do relatório Estado do Clima (State of the Climate), publicada pela Sociedade Meteorológica Americana (AMS), confirma que a Terra nunca esteve tão debilitada em indicadores fundamentais.

A análise, que reúne o trabalho meticuloso de 625 cientistas de 60 países, não deixa espaço para dúvidas. Em 2025, as concentrações de gases de efeito estufa, o conteúdo de calor dos oceanos e o nível global do mar atingiram patamares recordes. É como se o planeta estivesse emitindo sinais claros de estresse extremo, e o prontuário médico, infelizmente, está repleto de marcas históricas preocupantes.

Concentração de gases estufa como nunca antes

O principal motor dessa febre planetária está na atmosfera. O relatório aponta que as concentrações de dióxido de carbono (CO2), metano e óxido nitroso, os principais gases que retêm calor, foram as mais altas já registradas. O nível médio global de CO2 chegou a 425,6 partes por milhão, um aumento de 53% em relação aos níveis pré-industriais.

Para se ter uma ideia da pressão adicional que estamos colocando no sistema, as emissões de combustíveis fósseis em 2025 também foram recordistas, mais que triplicando o volume emitido anualmente na década de 1960.

"Febre" global sem El Niño

Mesmo sem a influência do El Niño, fenômeno que naturalmente aquece as águas do Pacífico e eleva as temperaturas globais, 2025 entrou para a história como um dos três anos mais quentes já documentados desde meados do século 19.

A Europa experimentou seu ano mais escaldante, enquanto países como Rússia, China e Argentina enfrentaram seu segundo ano mais quente. A febre é planetária e persistente: todos os últimos onze anos, de 2015 a 2025, figuram na lista dos mais quentes da história.

Oceanos no limite

As consequências do desequilíbrio atmosférico são absorvidas em grande parte pelos oceanos, e eles estão no limite. Quase 90% do excesso de energia aprisionada pelo efeito estufa nas últimas décadas foi parar nas águas.

O resultado é que o conteúdo de calor dos oceanos, medido da superfície até 2000 metros de profundidade, bateu um novo recorde em 2025. Apenas 26% da superfície oceânica experimentou um evento de frio, enquanto alarmantes 87% enfrentaram ao menos uma onda de calor marinho.

Este aquecimento, combinado com o degelo, empurrou o nível do mar para uma nova máxima histórica pelo 14º ano seguido, alcançando cerca de 111,2 milímetros acima da média de 1993. É a inércia de um sistema em desequilíbrio, com impactos diretos na vida de milhões de pessoas que vivem em zonas costeiras.

Recordes de calor nos dois polos

O sinal de alerta também ecoa com força nas regiões polares. O Ártico registrou seu segundo ano mais quente, com as temperaturas do ar subindo a uma taxa quase três vezes maior que a média global. O gelo marinho mais antigo e espesso está praticamente extinto, uma perda de resiliência que transforma a paisagem da região.

Na Antártida, a situação é igualmente grave. O continente gelado observou seu ano mais quente desde o início dos registros, em 1979, enquanto a extensão do gelo marinho ao seu redor permaneceu abaixo da média, seguindo uma tendência de quase uma década.

As geleiras terrestres, grandes reservatórios de água doce, perderam massa pelo 38º ano consecutivo, e cerca de 41% de toda a perda desde 1976 ocorreu apenas nos últimos dez anos.

Ciclones mais intensos

A energia extra acumulada no sistema climático também se manifesta na intensificação de tempestades. A temporada de ciclones tropicais em 2025 foi acima da média, com 97 tempestades nomeadas. Cinco delas atingiram a temível Categoria 5.

O furacão Melissa, um dos mais fortes já registrados no Atlântico, deixou um rastro de devastação ao atingir a Jamaica com ventos de impressionantes 305 km/h, causando 95 mortes e bilhões de dólares em prejuízos. São eventos que deixam de ser apenas estatísticas e se transformam em tragédias humanas e perdas irreparáveis.

Um diagnóstico para o planejamento do futuro

Alan Sealls, presidente da AMS, reforça que este relatório não é um mero conjunto de números. "O Estado do Clima conecta-se à saúde de todos os ecossistemas. Ele apresenta medições e tendências críticas que informam agências, comunidades, empresas e indivíduos para o planejamento de longo prazo", afirma.

O check-up anual da Terra é, acima de tudo, uma ferramenta vital. Ele nos mostra, com clareza e rigor científico, a velocidade das mudanças e a urgência de ações que vão desde a forma como geramos energia até o modo como construímos nossas cidades.

O diagnóstico está dado e as condições tendem a piorar. O plano de tratamento, contudo, ainda está engatinhando.

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