Você tem fome de quê? Breve reflexão para crentes ou não. Comentário de Chico Alencar

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02 Agosto 2026

"Na sua sabedoria, o mestre de Nazaré sabia da fome de pão, beleza e sentido de vida de cada pessoa e das multidões. Sabia do vazio que nos desafia", escreve Chico Alencar, deputado federal - PSOL-RJ, ao comentar o Evangelho lido hoje em milhares de comunidades de fé do planeta.

Eis o texto.

No Evangelho lido hoje em milhares de comunidades de fé do planeta (Mateus 14, 13-21), Jesus se antecipa ao verso da canção "Comida", dos Titãs, e ao "best seller" do médico indiano ayurveda Deepack Chopra.

Na sua sabedoria, o mestre de Nazaré sabia da fome de pão, beleza e sentido de vida de cada pessoa e das multidões. Sabia do vazio que nos desafia.

Busca recolhimento, em "local deserto e afastado", mas a multidão faminta o inquieta.

Não quer ser indiferente e mandá-la embora. Mas também não quer "alimentá-la" sozinho: "Dai-lhe vós de comer" - pede aos seus discípulos. Ação coletiva é sempre melhor.

Faz a multiplicação dos pães e dos peixes, "elevando os olhos para o céu" - conectar-se com a energia cósmica é preciso! Jesus sabia que o melhor da refeição é a partilha: abençoou o alimento, pediu aos seus para distribuí-los e a multidão ficou saciada. "Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome!" (Caetano Veloso).

Essa passagem é uma cutucada forte num mundo onde tantos sofrem com a angústia de não ver sentido na vida, com a depressão.
Ou colocam seu desejo no êxtase passageiro, no dinheiro, na dependência das drogas (lícitas ou ilícitas), do jogo, da obsessão do consumo. Na aceleração individualista de um tempo tão virtual quanto superficial.

O milagre da multiplicação dos pães e peixes é um chamamento à solidariedade com quem não tem o mínimo para sobreviver.
E é denúncia de um mundo com tão alta tecnologia e, ainda assim, com tamanha baixeza, destruição ambiental e injustiça social.
Lembremos que são "felizes os que têm fome e sede de Justiça!" (Mateus 5, 6).

Tenhamos, sempre!

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