Um outro apartheid

Foto: Wikimedia Commons

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31 Julho 2026

"A África do Sul, a nação que ensinou ao mundo a palavra 'libertação', corre agora o risco de aprender o vocabulário global do medo."

O artigo é de Tonio Dell’Olio, publicado por Mosaico Dipace, 30-07-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

O novo apartheid não possui leis escritas nem avisos nas portas. No entanto, na África do Sul, volta a decidir quem pode entrar em uma clínica, enviar um filho à escola, abrir uma loja ou morar em determinado bairro. Desta vez, a linha divisória não passa principalmente entre negros e brancos, mas entre cidadãos e estrangeiros, especialmente africanos.

Grupos como Operation Dudula e March and March transformam os migrantes nos bodes expiatórios para o desemprego, a pobreza, a criminalidade e o colapso dos serviços públicos. Controlam os documentos, organizam expulsões, bloqueiam o acesso a cuidados médicos, alimentam agressões. É a velha tática do poder: em vez de enfrentar as causas da injustiça, aponta-se o mais fraco como culpado.

A África do Sul, a nação que ensinou ao mundo a palavra "libertação", corre agora o risco de aprender o vocabulário global do medo. Supremacismo, racismo, nacionalismo e protecionismo não conhecem fronteiras; se espalham pela Europa e Estados Unidos, Ásia e África, prometendo segurança pela construção de inimigos e exigindo fronteiras para deixar de fora pessoas.

No entanto, a história não pertence aos semeadores do ódio. Organizações como a Kopanang Africa Against Xenophobia e a Lawyers for Human Rights levaram a Operation Dudula aos tribunais, obtendo uma liminar contra a intimidação de migrantes e o bloqueio de escolas e hospitais. É um raio de esperança: quando a lei volta a defender o último, nenhuma forma de apartheid pode se considerar invencível.

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