#velhice. Artigo de Gianfranco Ravasi

Foto: Sven Mieke/Unplash

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30 Julho 2026

"Um antigo sábio bíblico, Eclesiastes, não hesitava em exortar os jovens a aproveitar sua juventude: 'antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento!'", escreve Gianfranco Ravasi, ex-prefeito do Pontifício Conselho para a Cultura, em artigo publicado por Il Sole 24 Ore, 26-07-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

"Ó velhice, que esperança de prazer guardas em ti! Todos desejam alcançar-te, mas, uma vez alcançada, arrependem-se."

Hoje, a Igreja celebra o Dia dos Avós, pela memória litúrgica de Ana e Joaquim, pais de Maria, a mãe de Jesus. Existe uma vasta literatura sobre o que hoje é chamado, com um eufemismo, de "terceira idade". Escolhemos um fragmento de Eurípides, o famoso tragediógrafo grego que viveu no século V a.C. Também nos sentimos tentados a recorrer ao mais famoso Cícero, pesquisando numa de sua obra De Senectute (Sobre a Velhice), onde encontramos o mesmo conceito: "Todos os homens desejam alcançá-la, mas, ao ficarem velhos, lamentam-se".

Efetivamente, por um lado, fazemos de tudo para prolongar a vida, quase numa laica corrida rumo à imortalidade. Além disso, o "inverno demográfico" - como se costuma dizer -, está dando lugar a uma multidão de cabeças grisalhas; isso é o que lamentam as instituições de previdência e, no que me diz respeito, confirma o mar de cabeças grisalhas ou calvas que se veem nos ambões das igrejas. Por outro lado, é preciso reconhecer que, uma vez alcançado esse marco, como observam Eurípides e Cícero, começa a ladainha das queixas sobre os achaques, a solidão, o vazio cotidiano, sem mencionar a dependência de cuidadores ou a perspectiva de acabar numa casa de repouso.

Um antigo sábio bíblico, Eclesiastes, não hesitava em exortar os jovens a aproveitar sua juventude: "antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento!" (12,1). Mesmo assim, o já citado Cícero tem igualmente razão ao afirmar: "Ninguém é assim tão velho que não acredite que poderá viver por mais um ano". Há, no entanto, uma verdade na convicção de que a longa experiência de vida possa tornar-se uma fonte de sabedoria, infelizmente, muitas vezes ignorada pelos jovens, posto que a estupidez não tem idade.

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