‘Apoio mútuo da extrema direita’, analisa cientista política sobre Green Card a Eduardo Bolsonaro

Imagem do documento concedido pelos EUA a Eduardo Bolsonaro | Foto: Reprodução

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21 Julho 2026

Para Mayra Goulart, intervenção dos EUA tem efeito limitado e pode fortalecer discurso de soberania na campanha de Lula.

A reportagem é de José Bernardes, Larissa Bohrer e Maria Teresa Cruz, publicada por Brasil de Fato, 20-07-2026.

Condenado no Brasil e foragido nos Estados Unidos, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro conseguiu um Green Card, o visto de permanência no país de Donald Trump. A notícia, publicada inicialmente pela Folha de S.Paulo, não surpreendeu a cientista política Mayra Goulart.

“Existe um apoio inequívoco por parte de Trump à família Bolsonaro como representantes de uma extrema direita que é global e que se retroalimenta. É isso que explica essas reiteradas iniciativas para dificultar e intervir no cenário eleitoral no Brasil”, afirma a especialista.

Eduardo Bolsonaro buscou o governo americano para a instalação das tarifas contra o Brasil ainda em 2025, primeiro ano da gestão do republicano. O objetivo era pressionar as instituições brasileiras para inocentarem seu pai da condenação por tentativa de golpe em 2023. Como resultado, o próprio Eduardo acabou condenado por coação à Justiça.

Goulart destaca, no entanto, um certo desprezo que, mesmo assim, prevalece na relação entre o líder da extrema direita dos Estados Unidos e os políticos brasileiros que o apoiam. “Há um certo menosprezo por parte de Trump por países periféricos como o Brasil. Isso, somado a uma desinformação geral, uma falta de cuidado por parte da extrema direita, faz com que ele faça falas sem sentido, confundindo os irmãos Flávio e Eduardo”, analisa.

EUA nas eleições brasileiras

As intervenções de Donald Trump buscam atingir a corrida eleitoral brasileira. No entanto, a cientista política minimiza o impacto possível. “O impacto de discussões internacionais tradicionalmente é baixo em eleições presidenciais no Brasil”, diz.

A especialista espera que, caso haja algum efeito, ocorra na direção contrária, como já vem sendo notado até agora.

“Vai ser positivo para a campanha do presidente Lula, porque permite que ele mobilize uma retórica de soberania popular, de defesa dos interesses nacionais, que fica mais difícil para Flávio Bolsonaro, que já tem inúmeras frases demonstrando um adesismo quase que incondicional à potência hegemônica, aos Estados Unidos”, analisa.

A fraca candidatura de Flávio Bolsonaro

A adesão dos Bolsonaros aos desmandes de Trump contribui para um derretimento nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro, queda registrada em diferentes pesquisas. Outros fatores, como os escândalos envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e a briga pública com Michelle Bolsonaro, também contribuíram.

Goulart observa que Flávio ainda precisa enfrentar um grande obstáculo: a rejeição entre mulheres, inclusive as conservadoras. “Essas mulheres, com certeza, vão ser aquilo que é o fator determinante dessa eleição, uma vez que elas já manifestam uma propensão, uma tendência de voto no presidente Lula e não na extrema direita”, explica.

Mayra Goulart acredita ainda que, apesar das dificuldades, já é tarde demais para uma mudança na chapa que representará a herança do bolsonarismo.

“[Outras candidaturas de direita] não têm viabilidade, nem enraizamento partidário, não formaram grandes arcos de aliança. Elas são muito mais, por exemplo, no caso do Ronaldo Caiado, uma forma de liberar as bases, liberar essas elites políticas que são membros do partido do Kassab, o PSD, para não apoiar Flávio Bolsonaro no primeiro turno”, afirma.

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