Um problema de soberania manaura. Artigo de Sandoval Alves Rocha

Foto: K/Pexels

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18 Julho 2026

"O processo espoliativo imposto pela empresa sobre a população de Manaus tem se revelado um ataque a soberania popular, pois o povo manauara não é escutado nas suas reclamações e não tem poder de decidir sobre os serviços de sua própria cidade. Reclamações, investigações criminais, protestos, processos judiciais, multas e notificações são somente algumas dos sinais evidentes de que a concessão de água e esgoto só tem trazido dor de cabeça para a população. É preciso reestatizar para melhorar!", escreve Sandoval Alves Rocha.

O artigo é de Sandoval Alves da Rocha, doutor em Ciências Sociais pela PUC-Rio. Participa da coordenação do Fórum das Águas do Amazonas e associado ao Observatório Nacional dos Direitos a Água e ao Saneamento (ONDAS). É membro da Companhia de Jesus/Jesuítas e professor da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP).

Eis o artigo.

Com as tarifas comerciais impostas ao Brasil pelos Estados Unidos da América há uma clara disposição de ampliar a dominação americana sobre o território tupiniquim. Este domínio não é uma novidade, mas tem ganhado uma forma grotesca durante o mandato presidencial de Donald Trump. A diplomacia não tem surtido os efeitos positivos como era de se esperar nas relações entre países que buscam construir uma convivência pacifica e amistosa.

A dominação é reforçada barbaramente sem meias palavras. Os EUA querem consolidar o seu domínio sobre o Brasil fortalecendo o processo espoliativo das riquezas nacionais. Serão bilhões de dólares drenados para a economia norte-americana retirados do mercado brasileiro, prejudicando diversos setores produtivos. Eles querem um Brasil prostrado e sem apresentar nenhuma resistência às intervenções colonialistas do norte global.

Este processo espoliativo também pode ser visto em Manaus através das tarifas abusivas impostas pela concessionária Águas de Manaus. A espoliação realizada pela empresa fica exposta na medida em que os serviços são de péssima qualidade. Estamos entre as sete capitais com pior saneamento básico do Brasil. Os 26 anos de privatização dos serviços de água e esgoto têm rendido milhares de reais aos investidores do grupo Aegea Saneamento, sem trazer melhorias substanciais para a população.

Para a Prefeitura Municipal, o problema está na Agência Reguladora que não realiza uma fiscalização qualificada. O gestor promete então reestruturar a Ageman, mas o real problema consiste na lógica capitalista que busca lucrar o máximo sem realizar os devidos investimentos. Não falta fiscalização, o que falta é compromisso social e responsabilidade cidadã.

O processo espoliativo imposto pela empresa sobre a população de Manaus tem se revelado um ataque a soberania popular, pois o povo manauara não é escutado nas suas reclamações e não tem poder de decidir sobre os serviços de sua própria cidade. Reclamações, investigações criminais, protestos, processos judiciais, multas e notificações são somente algumas dos sinais evidentes de que a concessão de água e esgoto só tem trazido dor de cabeça para a população. É preciso reestatizar para melhorar!

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