13 Julho 2026
A maior produtora de proteína animal do mundo alega dificuldades para controlar emissões indiretas, apesar da promessa feita em 2021.
A informação é publicada por ClimaInfo, 12-07-2026.
Discretamente, a JBS recuou do compromisso de zerar suas emissões líquidas de gases de efeito estufa (net-zero) até 2040, enfraquecendo seus objetivos climáticos. A novidade foi anunciada sem a fanfarra de cinco anos atrás, quando a promessa foi feita pela empresa. O abandono da meta climática consta do relatório de sustentabilidade da gigante da proteína animal, publicado na semana passada.
Segundo a empresa, o recuo se dá pelas dificuldades para controlar as emissões indiretas, conhecidas como Escopo 3, que inclui a cadeia fornecedora e responde pela maior parte de sua pegada de carbono. Agora, a JBS focará na redução de suas emissões diretas (Escopos 1 e 2), que representam míseros 3% de suas emissões totais.
“Ambição ousada é ótima, mas agora é preciso ter metas realmente boas, mensuráveis e com resultados comprovados. E é isso que estamos fazendo – estamos definindo metas que acreditamos serem possíveis de alcançar e sobre as quais temos controle operacional”, disse o diretor de sustentabilidade da JBS, Jason Weller, ao Financial Times.
A empresa também derrubou o objetivo de investir US$ 100 milhões (R$ 512 milhões) em pesquisa e desenvolvimento voltados para redução de emissões de Escopo 3. Segundo Weller, esses recursos serão incorporados às operações da JBS por meio de programas diretos, incluindo uma iniciativa voltada a pequenos produtores no cumprimento da legislação ambiental e na adoção de práticas de produção regenerativa, informa a CNN Brasil.
Os recuos acontecem em um contexto de enfraquecimento sistemático dos objetivos climáticos de grandes empresas nos principais setores de pegada de carbono mais pesada, especialmente no segmento de energia – no qual o J&F, controlador da JBS, também atua, por meio da Âmbar.
Como o Capital Reset assinalou, a JBS vinha sinalizando o abandono formal do compromisso net-zero desde o ano passado, classificando-o como uma mera “aspiração”. “Nunca foi uma promessa de que a JBS ia fazer isso acontecer”, disse Weller em entrevista à época.
Promessa ou não, o anúncio festivo do net-zero foi alvo de uma denúncia da organização de advocacy Mighty Earth na Justiça dos Estados Unidos, que acusava a JBS de greenwashing. Para a entidade, a empresa obteve ganhos emitindo títulos atrelados a metas de sustentabilidade em 2021, quando anunciou o compromisso, sem tomar medidas para efetivamente cumpri-lo.
Além de zerar as emissões líquidas até 2040, a meta original previa eliminar o desmatamento ilegal da cadeia de fornecedores amazônicos até 2025. Apesar de não constar no relatório de sustentabilidade, a empresa afirmou que esse segundo objetivo teria sido cumprido. No entanto, em outubro passado, o Ibama multou a empresa por compra de gado criado em áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia.
Folha, Globo Rural e Monitor do Mercado também repercutiram o recuo da JBS.
Em tempo
Post de Paulo Artaxo, membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), o doutor em Física, no Facebook, 12-07-2026: "A JBS, maior empresa de proteína animal do mundo, abandonou a meta de atingir emissões líquidas zero até 2040, anunciada há cinco anos, a primeira do setor. Em outubro do ano passado, o Ibama multou fazendas e frigoríficos, incluindo a JBS, por compra de gado criado em áreas ilegalmente desmatadas na Amazônia. Ou seja: estratégias ESG de empresas? Me engana que eu gosto. Infelizmente, 99% é greenwashing. Sem políticas públicas obrigando empresas a ter um papel importante nas mudanças climáticas, esquece". (IHU)
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