Cada vez maiores, os SUVs “canibalizam” o espaço público

Fonte: Unsplash

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25 Junho 2026

A tendência de carros novos cada vez maiores está levando a uma ocupação do espaço público, até mesmo a uma “canibalização”, de acordo com um relatório de uma ONG.

A reportagem é de Erwan Manac'h, publicada por Reporterre, 24-06-2026. A tradução é do Cepat.

Os carros particulares estão ficando cada vez mais largos e mais compridos. De acordo com um relatório das ONGs Transport & Environment (T&E) e Clean Cities, publicado em 24 de junho, o tamanho médio dos carros novos vendidos na Europa tem aumentado 1,2 cm por ano desde 2000. No ritmo atual, os veículos novos poderão medir mais de 4,5 metros de comprimento e 1,90 metro de largura até 2040

Esses números confirmam uma tendência de “SUVificação” da frota de veículos novos, visível desde 2010 nas estradas e nas estatísticas dos fabricantes. A participação dos SUVs, esses veículos grandes, nas vendas de carros novos na França aumentou de 12% para 52% nos últimos quinze anos.

Uma “canibalização” do espaço

Segundo ONGs, essa tendência representa um problema para o compartilhamento do espaço público. Em grande escala, os centímetros extras acabam representando um volume considerável.

Em termos de estacionamento, as cidades podem perder aproximadamente uma em cada dez vagas até 2040 se a tendência atual continuar. Em Paris, entre 7 mil e 12 m il vagas de estacionamento seriam, portanto, “canibalizadas”, de acordo com a T&E. E mais de 100 mil vagas estariam em falta em metrópoles maiores como Londres ou Berlim.

Nas ruas, a padronização de carros maiores reduz o espaço disponível para ciclistas.

“É hora de o automóvel se adaptar à cidade, e não o contrário”, disse Marie Chéron, diretora da T&E France, no comunicado de imprensa da organização.

Aumento do risco em caso de acidente

Esses veículos grandes também representam um problema imediato de segurança. Embora ofereçam aos seus condutores uma maior sensação de segurança, são implacáveis com ciclistas e pedestres em caso de colisão.

Mesmo em baixas velocidades, os capôs mais altos aumentam o risco de morte em colisões frontais, especialmente para crianças. Pedestres e ciclistas são atingidos em órgãos vitais e têm maior probabilidade de ficarem presos sob o veículo.

Os condutores desses veículos grandes também têm visibilidade reduzida na estrada.

Essa observação levou as duas ONGs a estimarem o número de mortes causadas pela tendência de carros maiores. Até 2040, se nada for feito, poderão ocorrer 400 mortes a mais no trânsito na França devido ao tamanho excessivo dos nossos veículos.

Um SUV elétrico contém tantos metais críticos quanto cinco carros urbanos

Outra questão é ambiental. Os SUVs pesam cerca de 200 kg a mais do que um carro padrão, segundo o WWF, e muitas vezes chegam a quase 2 toneladas, em comparação com algumas centenas de quilos para veículos leves ou “intermediários”.

Como resultado, os SUVs produzem mais partículas e consomem mais energia. O WWF estima que eles tenham, em média, 26 cavalos de potência a mais do que os veículos convencionais. A Agência Internacional de Energia calculou, em 2023, que os SUVs consomem 20% mais combustível do que um modelo padrão.

Mesmo quando movidos a eletricidade, os SUVs continuam sendo um absurdo. De acordo com o WWF, um SUV como o Audi Q8 e-tron ou o Tesla Model X requer cinco vezes mais lítio, níquel e cobalto do que um Renault Twingo ZE. A ONG também estima que um SUV elétrico emite, ao longo de todo o seu ciclo de vida, o dobro de gases de efeito estufa em comparação com um veículo elétrico leve.

Disparada do preço de um carro novo

A febre por SUVs grandes é paradoxal, pois coincide com a diminuição do número médio de passageiros por veículo, devido ao declínio no número de famílias grandes.

Essa tendência é impulsionada pelas escolhas de empresas de leasing e montadoras, que veem margens de lucro maiores nesses modelos, vendidos em média 59% mais caros do que os carros convencionais, segundo a T&E. Essas multinacionais ditam as regras do mercado e podem moldar as percepções graças aos seus investimentos de € 2 a € 5 bilhões em publicidade a cada ano.

Essa tendência fez com que o preço médio de um carro novo disparasse, chegando a € 34.000 em 2024 (um aumento de 30% em dois anos), o que dificulta significativamente a transição para veículos elétricos para o uso diário. Muitos franceses, dependentes de seus carros, não conseguem mais comprar um veículo novo.

Para inverter essa tendência, a T&E e a Clean Cities defendem normas mais rigorosas, impostos sobre a compra de veículos grandes e medidas proativas para reduzir o espaço reservado para carros. Em Lyon, Bordéus e Paris, por exemplo, o estacionamento é mais caro para SUVs.

Em junho de 2025, diversas organizações da sociedade civil já solicitavam à Comissão Europeia que limitasse a altura do capô dos veículos novos a 85 cm.

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