Amazônia se recupera de seca histórica após dois anos, mostra MapBiomas

Foto: Alex Pazuello | Secom

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17 Junho 2026

A Amazônia levou dois anos para se recuperar da seca histórica provocada pelas mudanças climáticas e potencializada pelo El Niño em 2023 e 2024. O bioma voltou a ganhar área coberta por água, superando a média histórica em 2025. Essa é a principal constatação da nova coleção do MapBiomas Água, publicada na terça-feira, 16 de junho.

A informação é publicada por ClimaInfo, 17-06-2026. 

Os ganhos ficaram, em especial, no Pará, com novos 142 mil hectares cobertos por água, e no Amazonas, com novos 87 mil hectares, sendo as chuvas as principais impulsionadoras da recuperação. Embora a superfície da água na Amazônia tenha ficado 2,6% acima da média histórica no ano passado, a distribuição desse volume não foi uniforme.

Segundo o levantamento, 20 sub-bacias — que representam 37% do total do bioma — ainda apresentam superfície de água abaixo da média histórica. As bacias do rio Negro, distribuídas no Brasil entre Amazonas e Roraima, e a sub-bacia do rio Trombetas, no Pará, são exemplos das que não se recuperaram.

"Os rios respondem relativamente rápido com as chuvas, mas as florestas e aquíferos subterrâneos demoram mais. Além disso, as áreas mais frágeis do bioma ainda permanecem suscetíveis aos incêndios. Esse cenário coloca em risco a resiliência socioambiental da região", aponta Bruno Ferreira, pesquisador do Imazon e membro da equipe Amazônia do MapBiomas.

No geral, a superfície de água em todo o Brasil ficou 5,3% acima da média em 2025 em relação ao ano anterior, totalizando 18,2 milhões de hectares, mas abaixo da média histórica de 18,5 milhões de hectares. Em 2025, a superfície de água representou 2% do território nacional. Mas, nos últimos 30 anos, o país perdeu um lago de água do tamanho de Sergipe.

Se a Amazônia se recuperou, o Pantanal vive um cenário muito preocupante. Em 2025, todos os meses registraram superfícies cobertas por água abaixo do normal no bioma. Mesmo após uma recuperação parcial em relação a 2024, ano no qual o bioma enfrentou uma seca histórica, a superfície de água no Pantanal permaneceu 56% abaixo da média observada entre 1985 e 2025.

Segundo Eduardo Rosa, coordenador de mapeamento no MapBiomas, o último período de cheias no Pantanal foi em 2018, quando extensas áreas permaneceram alagadas por dois ou três meses. Corumbá (MS) é o município que mais perdeu superfície de água.

Quanto aos demais biomas, o relatório mostra que a Mata Atlântica registrou leve aumento da superfície de água (+0,4%) de 2024 para 2025, com mais da metade dos 22 mil km² confinada a espaços criados pelo homem, como reservatórios. O balanço também foi positivo para o Cerrado (+0,4%) e a Caatinga (+0,5%). Já o Pampa registrou baixa de -0,2%.

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