15 Junho 2026
O Reino Unido vai legislar para proibir o acesso ao Instagram, Facebook, TikTok, X e YouTube, entre outras redes, e limitar o horário de utilização para menores de 18 anos.
A reportagem é de Maria Ramirez, publicada por El Diario, 15-06-2026.
No Reino Unido, menores de 16 anos não poderão mais usar legalmente o Instagram, Facebook, TikTok, X e YouTube, entre outras plataformas de mídia social. Somente pessoas com 18 anos ou mais poderão usá-las à noite sem restrições. Essas são algumas das medidas anunciadas nesta segunda-feira pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.
“Esta não foi uma decisão que tomei de ânimo leve”, disse o primeiro-ministro em uma coletiva de imprensa. “Mas governar é tomar decisões. É evidente que a proibição total é a decisão correta.” “Acreditamos que as redes sociais sejam um ambiente feliz para nossas crianças? Que elas se sintam seguras nelas?”, questionou Starmer, que enfatizou que as redes sociais são “projetadas para viciar” e colocam os menores em perigo.
Essas restrições são resultado de uma consulta pública, na qual nove em cada dez pais apoiaram a proibição, e exigirão nova legislação. O Partido Trabalhista espera aprovar as mudanças necessárias no Parlamento com sua ampla maioria, e Starmer estimou que as medidas estariam em vigor no início do próximo ano. O primeiro-ministro pode ter mudado até lá devido à disputa pela liderança que seus rivais dentro do partido devem lançar, mas há um amplo consenso dentro e fora do Partido Trabalhista sobre essas medidas.
“Não será fácil”
O plano britânico é apresentado como uma versão reforçada da proibição já implementada na Austrália, que até agora teve sucesso limitado. "Não será fácil", reconheceu Starmer, que salientou que as grandes empresas de redes sociais estão determinadas a fazer com que governos e cidadãos acreditem que as redes sociais "não podem ser mudadas".
O WhatsApp está excluído da lista de redes proibidas, assim como os aplicativos de jogos, mas terá que cumprir novas restrições, como o bloqueio de conversas com estranhos e a proibição de transmissões ao vivo. Menores de 18 anos não poderão acessar conversas de cunho sexual ou romântico com chatbots de inteligência artificial. Também haverá limites de tempo para o uso e outras restrições, que o governo detalhará em julho.
“Chegamos ao fim da linha. As gigantes da tecnologia tiveram sua chance e falharam, mas vamos dar um passo adiante para proteger nossas crianças, apoiar os pais e estabelecer um novo padrão para as futuras gerações”, disse Starmer, que falou sobre uma “mudança cultural” em relação ao uso das redes sociais.
Questionado por um repórter sobre a possível ira do presidente dos EUA, Donald Trump, e das principais empresas de tecnologia do país, Starmer afirmou: "Trata-se de lutar pelo que acreditamos ser certo... Não vou aceitar que não se possa ser a favor da inteligência artificial e da tecnologia e dizer que se quer proteger nossas crianças."
E na Austrália?
Além disso, o governo britânico garante que sua legislação será mais rigorosa na punição de plataformas que não impedem menores de criar contas falsas ou usar VPNs para acessar redes, como já acontece na Austrália, onde até dois terços dos jovens afirmam burlar as restrições.
Starmer afirmou que menores de idade também desrespeitam as restrições ao consumo de álcool, mas que é responsabilidade das autoridades reforçar a fiscalização e responsabilizar as empresas culpadas. O primeiro-ministro garantiu que menores de idade não serão processados em nenhuma circunstância.
Outro efeito da proibição na Austrália, que entrou em vigor em dezembro, é que os adolescentes deixaram de acompanhar os acontecimentos atuais. Quase metade deles afirma estar ciente de menos notícias.
Os governos da Espanha e da França também anunciaram planos para proibições semelhantes, mas não detalharam como ou quando essas proibições serão implementadas.
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