O ativista Saif Abukeshek chega a Barcelona após dez dias sequestrado por Israel: “Nossa prioridade é a humanidade”

Thiago Ávila e Saif Abukeshek | Foto: Global Sumud Flotilla/Reprodução

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11 Mai 2026

O ativista espanhol-palestino Saif Abukeshek chegou a Barcelona no sábado, após ter sido detido durante dez dias pelas autoridades israelenses na sequência do ataque à flotilha Global Sumud. Abukeshek desembarcou vindo de Atenas e foi recebido no aeroporto El Prat por familiares, ativistas e representantes de organizações solidárias com a Palestina. Suas primeiras palavras foram: “O que mais nos preocupa são os milhares de palestinos — mulheres, crianças e homens — que foram deixados para trás, indefesos, torturados e estuprados.”

A reportagem é publicada por El Salto, 10-05-2026.

“Durante esses dez dias, pude ouvir os gritos de palestinos sendo torturados por agentes israelenses todos os dias”, declarou Abukeshek. Após denunciar a impunidade do Estado de Israel, ele ironizou dizendo que da próxima vez seriam “interceptados em Ibiza”. “Não agimos porque o sistema está falhando, agimos porque o sistema foi projetado para oprimir as pessoas”, afirmou. Além disso, deixou claro que essa incursão é apenas o começo: “Há muitos de nós dispostos a nos sacrificar. Hoje chego a Barcelona para arrumar minhas malas e em alguns dias me reunirei aos meus camaradas na Turquia, porque isso é apenas o começo… Nossa prioridade é a humanidade.”

A organização Global Sumud Flotilla confirmou há apenas dois dias a libertação de Abukeshek, juntamente com a do ativista brasileiro Thiago Ávila, e afirmou que ambos foram vítimas de um "sequestro ilegal" por parte de Israel. De acordo com um comunicado de imprensa da organização, Abukeshek viajou da Grécia para Barcelona para se reunir com sua família.

A flotilha havia partido com o objetivo de denunciar o bloqueio de Gaza e entregar ajuda e apoio simbólicos à população palestina. A organização afirma que as embarcações foram interceptadas pelo exército israelense em águas internacionais, a cerca de 1.100 quilômetros da costa de Gaza e perto da Grécia.

Durante a detenção, tanto Abukeshek quanto Avila relataram ter sofrido abusos e tortura, conforme contaram a seus advogados da organização palestina de direitos humanos Adalah e aos representantes consulares que puderam visitá-los. Ambos iniciaram uma greve de fome e, no caso de Abukeshek, também uma greve de sede, em protesto contra a detenção.

A Flotilha Global Sumud saudou a libertação dos dois ativistas como “uma vitória para a mobilização popular” e afirmou que a campanha continuará. A organização também observou que dezenas de barcos permanecem no porto turco de Marmaris enquanto os participantes decidem os próximos passos da iniciativa.

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