Dos Illuminati ao QAnon: o que torna os mitos das teorias da conspiração tão persistentes?

Foto: Anthony Crider/Flickr

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05 Mai 2026

"Q me enviou" – o slogan visto em faixas durante a invasão do Capitólio dos EUA após a derrota de Donald Trump na eleição presidencial de 6 de janeiro de 2021, viralizou. A frase se referia ao movimento QAnon, um fórum online para teorias da conspiração sombrias e, às vezes, completamente absurdas.

A reportagem é de Johannes Senk, publicada por Katholisch, 01-05-2026.

No cerne do QAnon — assim como em muitas teorias da conspiração — estão mitos sobre uma elite secreta, nos EUA o chamado Estado Profundo, que supostamente controla os assuntos mundiais nos bastidores. O QAnon também encontrou apoio considerável entre os seguidores de Trump, a chamada "bolha mágica", como ficou evidente após sua segunda vitória eleitoral. Pouco depois de assumir o cargo em janeiro de 2025, o presidente reeleito concedeu indulto a alguns dos manifestantes que invadiram o Capitólio — reforçando, assim, indiretamente a legitimidade e a substância de suas crenças conspiratórias.

Acreditar em teorias da conspiração mesmo sem provas

É irrelevante que nenhuma das alegações feitas pelo movimento QAnon tenha sido comprovada de forma conclusiva. Tais mitos conspiratórios persistem porque parecem dar sentido à narrativa, especialmente em tempos aparentemente caóticos de grandes convulsões. Talvez nenhum mito demonstre seu poder duradouro de forma mais vívida do que o dos Illuminati. Fundada há 250 anos em Ingolstadt, essa sociedade secreta permanece praticamente sinônimo da crença em uma conspiração global secreta. Independentemente dos acontecimentos, os "iluminados" são, em tom de brincadeira ou a sério, acusados ​​de envolvimento.

Historicamente, a existência dos Illuminati foi breve. Em 1º de maio de 1776, o filósofo Adam Weishaupt fundou a ordem com o objetivo de promover o Iluminismo e combater a forte influência da Igreja Católica, particularmente no Eleitorado da Baviera. Como professor universitário em Ingolstadt, Weishaupt havia entrado em conflito principalmente com a ordem jesuíta, que fora oficialmente dissolvida em 1773 – ela própria, aliás, alvo frequente de teorias da conspiração até hoje.

Subversão do absolutismo

Os Illuminati contrapuseram-se à doutrina da Igreja, que estava sob pressão em toda a Europa devido ao avanço do Iluminismo, com uma doutrina baseada na nova razão, que também rejeitava o absolutismo como forma de governo predominante na época. Um dos métodos da ordem — e é aqui que começa o aspecto conspiratório propriamente dito — era a infiltração nas instituições estatais. Os Illuminati foram bastante bem-sucedidos nisso: por exemplo, o conselho de censura da Baviera, responsável por controlar e restringir as publicações no Eleitorado, era composto, em certos momentos, por uma maioria de membros da ordem. Isso permitia que eles garantissem que os documentos fossem publicados e divulgados de acordo com seus desejos.

Posteriormente, numerosos intelectuais juntaram-se aos Illuminati. Particularmente significativo para a história posterior da ordem foi o ingresso de Adolph Freiherr von Knigge. Este nobre, ainda hoje conhecido pelo seu código de etiqueta, juntou-se à ordem em 1780 e assumiu imediatamente um papel fundamental. Deu à ordem uma estrutura sólida e recrutou centenas de novos Illuminati na sua terra natal, a Baixa Saxônia, incluindo figuras proeminentes como Johann Wolfgang von Goethe e Johann Gottfried Herder.

O sucesso levou ao colapso

O rápido sucesso dos Illuminati, contudo, também selaria seu destino. Uma luta pelo poder eclodiu na liderança entre o fundador Weishaupt e Knigge, resultando, em última instância, na renúncia de Knigge. Simultaneamente, o Eleitor da Baviera, Karl Theodor, tomou conhecimento das atividades da organização. Em 2 de março de 1785, a sociedade foi proibida devido às suas atividades consideradas traição e antirreligiosas. Alguns membros condenados foram expulsos do país ou perderam seus cargos, e Weishaupt acabou fugindo – seu papel como fundador permanece desconhecido na época.

Mas foi então que as lendas em torno dos Illuminati começaram a ganhar forma. Os rumores de que eles continuavam a existir em segredo foram alimentados pela crescente radicalização do Iluminismo. Entre outras coisas, a eclosão da Revolução Francesa em 1789 foi atribuída aos Illuminati. No jovem país Estados Unidos, o medo da infiltração dos Illuminati na nação recém-fundada já crescia no fim do século XVIII.

O mito persistiu ao longo dos séculos seguintes. Preconceitos e motivações tornaram-se cada vez mais entrelaçados. Os Illuminati e os Maçons praticamente se fundiram em um só; simultaneamente, surgiram motivos antissemitas, ligando o grupo a uma comunidade judaica mundial todo-poderosa. A cultura popular também contribuiu para distorcer a imagem original dos Illuminati, como se vê no aclamado livro Anjos e Demônios, do autor americano Dan Brown, no qual eles são retratados como vilões sinistros que tentam derrubar o papado.

Refutação quase impossível

Embora a oposição à Igreja Católica tenha sido de fato o cerne original da ordem, as atividades que lhes são atribuídas na literatura popular pertencem, sem dúvida, ao reino da lenda. Contudo, a persistência do mito dos Illuminati ao longo dos séculos demonstra a dificuldade em refutar tais teorias. O argumento é que a ausência de provas concretas não invalida a existência de sociedades secretas operando nos bastidores – afinal, esses registros poderiam ser destruídos ou manipulados.

O fato de a crença nessas teorias não ser apenas uma excentricidade inofensiva, mas também poder assumir formas perigosas, tornou-se recentemente evidente no movimento QAnon. Talvez não daqui a 250 anos, mas pelo menos enquanto o movimento MAGA mantiver o poder nos EUA, é provável que elas continuem a se espalhar.

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