"Quem o segue cruza um limiar que leva a um novo mundo: uma nova maneira de entender e viver a vida."
O comentário é de José Antonio Pagola, teólogo espanhol, ao Evangelho de Jesus Cristo segundo João 10,1-10, que corresponde ao 4º Domingo da Páscoa, ciclo A do Ano Litúrgico, publicado por Religión Digital, 26-04-2026.
O Evangelho de João apresenta Jesus com imagens originais e belas. Ele deseja que seus leitores descubram que somente ele pode responder plenamente às necessidades mais fundamentais da humanidade. Jesus é "o pão da vida": quem se alimenta dele não terá fome. Ele é "a luz do mundo": quem o segue não andará em trevas. Ele é "o bom pastor": quem ouve a sua voz encontrará a vida.
Entre essas imagens, há uma, humilde e quase esquecida, que, no entanto, contém um significado profundo: "Eu sou a porta". Esse é Jesus. Uma porta aberta. Quem o segue cruza um limiar que leva a um novo mundo: uma nova maneira de compreender e viver a vida.
O evangelista explica isso com três características: “Quem entrar por mim será salvo”. A vida tem muitos caminhos. Nem todos levam ao sucesso ou garantem uma vida plena. Quem, de alguma forma, se conecta com Jesus e tenta segui-lo, está entrando pela porta certa. Não arruinará a sua vida. Salvará a sua vida.
O evangelista diz algo mais. Quem entra por meio de Jesus "poderá sair e entrar". Ele tem liberdade de movimento. Entra num espaço onde pode ser livre, pois é guiado apenas pelo Espírito de Jesus. Não é uma terra de anarquia ou devassidão. Ele "entra e sai", passando sempre por aquela "porta" que é Jesus, e segue os seus passos.
O evangelista acrescenta ainda outro detalhe: quem entrar por aquela porta, que é Jesus, "encontrará pastagens", não terá fome nem sede. Encontrará alimento sólido e abundante para viver.
Cristo é a "porta" pela qual nós, cristãos, também devemos entrar hoje se quisermos reacender nossa identidade. Um cristianismo composto por indivíduos batizados que se relacionam com um Jesus mal compreendido, vagamente lembrado, afirmado apenas ocasionalmente de forma abstrata, um Jesus silencioso que não diz nada de especial ao mundo de hoje, um Jesus que não toca os corações... é um cristianismo sem futuro.
Só Cristo pode nos conduzir a um novo nível de vida cristã, mais bem fundamentada, motivada e nutrida pelo Evangelho. Cada um de nós pode contribuir para que Jesus seja sentido e vivenciado de forma mais vívida e apaixonada na Igreja dos próximos anos. Podemos tornar a Igreja mais semelhante a Jesus.