Leão XIV escreve aos cardeais e dá pistas sobre os temas do Consistório

Foto: Vatican Media

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16 Abril 2026

O Papa envia uma carta aos cardeais na qual aborda três questões: programas de iniciação cristã, visitas pastorais e comunicação eclesial.

A reportagem é de Rúben Cruz, publicada por Vida Nueva Digital, 14-04-2026.

Leão XIV enviou uma carta aos cardeais - datada deste domingo, 12 de abril, e distribuída hoje pelo Vaticano - na qual lhes dá pistas sobre os temas do próximo consistório, que ocorrerá entre 26 e 27 de junho.

De acordo com o que se pode depreender de suas palavras, o objetivo do Papa no início de seu pontificado não é outro senão desenvolver a exortação programática do papado de Francisco: Evangelii gaudium.

É por isso que o Papa quer se concentrar neste documento magisterial para "avaliar honestamente o que foi realmente recebido depois de todos esses anos e o que permanece desconhecido e não implementado".

Em particular, Robert Francis Prevost afirma que “é preciso atentar para a necessária reforma dos programas de iniciação cristã; para a necessidade de valorizar as visitas apostólicas e pastorais como oportunidades autênticas de reflexão querigmática e crescimento na qualidade dos relacionamentos; bem como para a necessidade de reconsiderar a eficácia da comunicação eclesial, mesmo ao nível da Santa Sé, a partir de uma perspectiva mais claramente missionária”.

A exortação de Francisco, um ponto de referência

Após agradecer aos cardeais pelas suas contribuições no consistório realizado em janeiro, Leão XIV declarou que desejava continuar a desenvolvê-los “através do discernimento eclesial”.

“Com base nas suas contribuições, é evidente que esta exortação continua a ser um ponto de referência decisivo: não se limita a introduzir novos conteúdos, mas sim reorienta tudo para o querigma como núcleo da identidade cristã e eclesial”, salienta o Papa agostiniano.

Como recorda Leão XIV, a Evangelii gaudium “foi reconhecida como um verdadeiro sopro de ar fresco, capaz de iniciar processos de conversão pastoral e missionária, em vez de produzir reformas estruturais imediatas, guiando assim profundamente o caminho da Igreja”.

Evangelii gaudium e seus desafios

Na mesma linha de raciocínio, ele continua: "Você destacou como essa perspectiva desafia a Igreja em todos os níveis."

“Em nível pessoal, convida cada batizado a renovar seu encontro com Cristo, passando de uma fé simplesmente recebida para uma fé verdadeiramente vivida e experimentada. Este caminho afeta também a própria essência da vida espiritual, na primazia da oração, no testemunho que precede as palavras e na coerência entre fé e vida”, afirma o Papa.

Em segundo lugar, “a nível comunitário, exige-se uma mudança de um ministério pastoral de conservação para um ministério missionário, em que as comunidades sejam agentes vivos da mensagem: comunidades hospitaleiras, capazes de compreender a linguagem, atentas à qualidade das relações e aptas a oferecer espaços de escuta, orientação e cura”, afirma o Papa.

Terceiro, “no nível diocesano, a responsabilidade dos párocos de apoiar decisivamente a ousadia missionária emerge claramente, garantindo que ela não seja sobrecarregada ou sufocada por excessos organizacionais e promovendo o discernimento que ajuda a reconhecer o que é essencial”, acrescenta Prevost.

A missão da Igreja: centrada em Cristo e querigmática

Após destacar os três desafios, Leão XIV enfatiza que “de tudo isso surge uma compreensão profundamente unificada da missão: uma missão cristocêntrica e querigmática, nascida de um encontro transformador com Cristo e difundida pela atração, e não pela conquista”.

“Trata-se de uma missão abrangente, que combina proclamação explícita, testemunho, compromisso e diálogo, sem ceder à tentação do proselitismo ou a uma lógica de simples preservação ou expansão institucional”, acrescenta o Papa.

E continua: “Mesmo reconhecendo-se como minoria, a Igreja é chamada a viver sem complexos, como um pequeno rebanho que leva esperança a todos, lembrando que o objetivo da missão não é a sua própria sobrevivência, mas a comunicação do amor com que Deus ama o mundo.”

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