15 Abril 2026
Em carta convocando o Consistório de junho, Prevost enfatiza que o roteiro de Bergoglio "continua a representar um ponto de referência decisivo: não se limita a introduzir novos conteúdos, mas recentra tudo no querigma como o coração da identidade cristã e eclesial".
A reportagem é de Jesús Bastante, publicado por Religión Digital, 14-04-2026.
"A Evangelii Gaudium continua a representar um ponto de referência decisivo: não se limita a introduzir novos conteúdos, mas recentra tudo no querigma como o cerne da identidade cristã e eclesial." O Papa Leão XIV escreveu uma carta ao Colégio Cardinalício, convocando um novo consistório para os dias 26 e 27 de junho, no qual abordarão explicitamente "a necessidade de relançar a Evangelii Gaudium para verificar honestamente o que, depois de todos estes anos, foi verdadeiramente assimilado e o que, por outro lado, permanece desconhecido e não aplicado".
Esta exortação, que serviu de "roteiro" para o pontificado de Francisco e seu compromisso com a sinodalidade, parece ser a mesma no caso de Prevost, que a define como "um verdadeiro 'novo fôlego', capaz de iniciar processos de conversão pastoral e missionária, em vez de produzir reformas estruturais imediatas, guiando assim profundamente o caminho da Igreja".
Uma abordagem em três níveis. No nível pessoal, convidando "cada pessoa batizada a renovar seu encontro com Cristo, passando de uma fé meramente recebida para uma fé verdadeiramente vivida e experimentada". No nível comunitário, promovendo "a mudança de uma abordagem pastoral focada na preservação para uma abordagem missionária, na qual as comunidades são agentes vivos de proclamação: comunidades acolhedoras, capazes de usar uma linguagem clara, atentas à qualidade dos relacionamentos e capazes de oferecer espaços para escuta, acompanhamento e cura". No nível diocesano, destacando "claramente a responsabilidade dos pastores em apoiar firmemente a ousadia missionária, garantindo que ela não seja prejudicada ou sufocada por uma organização excessiva e fomentando o discernimento que ajuda a reconhecer o que é essencial".
Tudo isso para garantir que a Igreja construa um encontro com Cristo "capaz de transformar vidas e que se espalhe por atração e não por conquista", numa "missão abrangente, que combine proclamação explícita, testemunho, compromisso e diálogo, sem ceder à tentação do proselitismo ou a uma lógica de mera conservação ou expansão institucional".
E, acrescenta Leão, “mesmo reconhecendo-se como minoria, a Igreja é chamada a viver sem complexos, como um pequeno rebanho que carrega esperança para todos, lembrando que o objetivo de sua missão não é a sua própria sobrevivência, mas a comunicação do amor com que Deus ama o mundo”. Entre os pontos-chave para avaliar o que ainda precisa ser implementado, o Papa destaca “a necessária reforma dos programas de iniciação cristã; a importância de valorizar as visitas apostólicas e pastorais como oportunidades autênticas de expressão querigmática e crescimento na qualidade dos relacionamentos; bem como a necessidade de reconsiderar a eficácia da comunicação eclesial, inclusive no âmbito da Santa Sé, sob uma perspectiva mais claramente missionária”.
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