"Hoje Jesus chora mais uma vez por Jerusalém", diz o patriarca latino em uma oração no Getsêmani

Pierbattista Pizzaballa (Foto: Vatican Media)

Mais Lidos

  • Quantum e qualia. Entre teoria quântica e a filosofia da mente. Entrevista com Osvaldo Pessoa Junior

    LER MAIS
  • Patriarcado e crise de identidade masculina. Artigo de Flávio Lazzarin

    LER MAIS
  • Soberania e desenvolvimento digital e econômico do Brasil dependem de alternativas que enfrentem a dependência das multinacionais, afirma o pesquisador

    Data centers: a nova face da dependência brasileira. Entrevista especial com Vinícius Sousa de Oliveira

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

30 Março 2026

"Chore por esta Terra Santa, ainda incapaz de reconhecer o dom da paz."

A informação é publicada por Religión Digital, 29-03-2026. 

A mais alta autoridade católica na Terra Santa, o Patriarca Latino Pierbattista Pizzaballa, abençoou e rezou por Jerusalém depois que a polícia israelense o impediu de celebrar uma missa no Santo Sepulcro no Domingo de Ramos.

"Hoje Jesus chora mais uma vez por Jerusalém. Chora por esta cidade, que permanece um sinal de esperança e dor, de graça e sofrimento. Chora por esta Terra Santa, ainda incapaz de reconhecer o dom da paz", disse Pizzaballa, segurando uma relíquia da Santa Cruz na Basílica de Getsêmani, ao pé do Monte das Oliveiras.

Na breve cerimônia, restrita à imprensa devido às limitações impostas pela guerra, ele estava acompanhado por mais de trinta pessoas, incluindo convidados e coroinhas.

Horas antes, a polícia israelense havia impedido Pizzaballa e o Custódio da Terra Santa, Francesco Ielpo, de realizar uma missa sem público no Santo Sepulcro, um evento sem precedentes, alegando razões de segurança como consequência da guerra com o Irã.

"Nesta tarde de Domingo de Ramos, reunimo-nos sem procissão, sem ramos acenando pelas ruas. Esta ausência não é uma mera formalidade. É a guerra que interrompeu a nossa jornada festiva, impedindo até mesmo a simples alegria de seguir o nosso Rei", continuou o cardeal.

Em sua homilia, o líder religioso falou sobre como o amor e a fidelidade de Jesus nunca se desvaneceram, nem mesmo na cruz, e nos lembrou que isso nos ensina que "o verdadeiro poder não reside na violência ou na espada que mata, mas em uma vida livremente entregue".

"Irmãos e irmãs, nesta terra que continua à espera da paz, somos chamados a ser testemunhas de um amor que nunca desiste", concluiu.

Em relação à proibição de entrada do cardeal no Santo Sepulcro, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, garantiu pouco depois que "não houve intenção maliciosa", mas que a medida visava à sua segurança.

No entanto, a EFE conseguiu confirmar que houve pelo menos mais uma missa neste domingo, com mais de cem pessoas, na Igreja de São Salvador, também na Cidade Velha ocupada de Jerusalém Oriental, sem que as autoridades israelenses a proibissem.

O ministro italiano das Relações Exteriores, Antonio Tajani, anunciou que convocará o embaixador israelense na segunda-feira, em decorrência do incidente, que o governo italiano condenou como "uma ofensa". O embaixador americano acredita que Israel ultrapassou os limites ao bloquear o patriarca latino.

O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, afirmou que a polícia israelense ultrapassou os limites ao impedir o Patriarca Latino, Pierbattista Pizzaballa, de entrar na Igreja do Santo Sepulcro para celebrar a missa do Domingo de Ramos.

"A decisão tomada hoje pela Polícia Nacional Israelense de impedir que o Patriarca Latino, Cardeal Pierbattista Pizzaballa, e outros três padres entrem na igreja para dar a bênção no Domingo de Ramos constitui um abuso de poder lamentável que já está tendo repercussões significativas em todo o mundo", disse Huckabee em um comunicado publicado no X.

O embaixador destaca que, embora os locais sagrados da Cidade Velha permaneçam fechados por razões de segurança - a razão dada pelo gabinete de Benjamin Netanyahu para impedir a entrada de Pizzaballa - as restrições dizem respeito às aglomerações, o que não ocorreu neste caso.

"É difícil entender ou justificar impedir o Patriarca de entrar na igreja no Domingo de Ramos para uma cerimônia privada", lamenta o diplomata, que geralmente apoia as posições de Israel.

No domingo, policiais israelenses impediram Pizzaballa e o Custódio da Terra Santa, Francesco Ielpo, de entrarem na Igreja do Santo Sepulcro. Segundo o comunicado do Patriarcado Latino de Jerusalém, ambos se dirigiam ao templo em caráter privado, "sem qualquer indício de procissão ou ato cerimonial".

Israel limita aglomerações ao ar livre a menos de 50 pessoas devido à guerra, e suas autoridades alegam que o fechamento de locais sagrados se deve ao fato de que os serviços de emergência não conseguiriam se locomover facilmente pelas ruas estreitas da Cidade Velha em caso de ataque.

Durante o mês sagrado do Ramadã no Islã, que coincidiu por várias semanas com a guerra, a polícia impediu os fiéis de irem ao Monte do Templo e dispersou violentamente os palestinos que tentaram rezar fora dos muros da Cidade Velha.

Leia mais