Criação e ciência natural não são uma contradição, afirma Richard D'Souza, diretor do Observatório Astronômico do Vaticano

Foto: Greg Rakozy/Unplash

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26 Março 2026

Fé e ciência não são contraditórias – o chefe do Observatório Vaticano está convencido disso. O padre Richard D'Souza as vê como duas maneiras de compreender a realidade.

A reportagem é publicada por Katholisch, 25-03-2026.

O padre Richard D'Souza, chefe do Observatório Vaticano, não vê contradição entre a história bíblica da criação e as descobertas da ciência natural. A história da criação no Livro do Gênesis não deve ser interpretada literalmente, disse o jesuíta em entrevista à revista "Christ & Welt" (edição de quinta-feira). A compreensão correta do Gênesis está em completa harmonia com a ciência: "É um mito que expressa verdades teológicas fundamentais: Deus criou o universo do nada, passo a passo, e sua criação era boa. A coroa da criação é a humanidade, criada à sua imagem."

Como astrofísico, D'Souza não considera Deus como uma explicação para os fenômenos naturais: "Meu Deus não é um substituto para tudo o que é inexplicável". O método científico tem seus limites. No entanto, é uma falsa expectativa "que a metafísica e a religião possam oferecer respostas da mesma forma que a ciência". A religião nos ajuda a compreender o mundo a partir de uma perspectiva humana: "A religião oferece significado e esperança; ela não responde aos mistérios científicos".

Ele próprio não busca sinais divinos no céu noturno. Deus fala por meio de sinais, mas o sinal não é a mensagem: "A Estrela de Belém não é importante em si mesma, mas porque aponta para o Messias". Deus poderia ter usado qualquer outra forma para indicar o nascimento de Jesus. O jesuíta, portanto, é cauteloso ao interpretar o que vê através do telescópio como um sinal de Deus. "Você não pode ver Deus através de um telescópio", enfatizou D'Souza.

Ceticismo em relação à colonização de Marte

O astrônomo está preocupado com os planos de colonização de Marte. Embora possa estar longe de ser possível transformar Marte por completo a ponto de tornar a vida humana viável, o cientista de 47 anos espera que o primeiro assentamento humano seja estabelecido no planeta vizinho da Terra ainda durante sua vida. D'Souza vê o perigo de que isso polua o ambiente intocado de Marte: "Não conseguimos nem cuidar da nossa própria Terra e, ainda assim, queremos arriscar o destino de outro planeta! Temos uma responsabilidade com a criação, seja na Terra ou em outros planetas."

Considerando os bilhões de sistemas estelares, o jesuíta considera provável a existência de vida em outros planetas e expressou confiança de que evidências dela serão encontradas nas próximas décadas – embora provavelmente não de seres inteligentes com os quais a humanidade possa entrar em contato. Ele tem certeza de uma coisa: "Esses seres, seja qual for a sua aparência, também seriam criaturas de Deus."

O astrônomo indiano e padre jesuíta Richard D'Souza é o diretor do Observatório do Vaticano desde 2025. Sua pesquisa se concentra na formação e evolução das galáxias. Originário do estado de Goa, no oeste da Índia, D'Souza cresceu no Kuwait e na Índia, tendo inicialmente estudado em seu país natal. Ele obteve seu mestrado em física em Heidelberg e, posteriormente, seu doutorado em astronomia pela Universidade Ludwig Maximilian de Munique. D'Souza ingressou na Ordem Jesuíta em 1996. Ele é um dos mais de 50 jesuítas homenageados com a nomeação de um asteroide: seu corpo celeste leva o nome "671271 Richardadsouza".

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